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Acusado de estupro coletivo no Rio usa frase ‘regret nothing’ em camiseta; o que isso significa

Acusado de estupro coletivo no Rio usa frase ‘regret nothing’ em camiseta; o que isso significa

Estupro coletivo no Rio: adolescente é apontado como responsável por atrair vítima para apartamento

Um adolescente, que também teria participado das agressões sexuais, é alvo de uma representação do Ministério Público. A identidade dele não foi informada. Crédito: Câmeras de vigilância

*Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.

Acusado de estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em 31 de janeiro em um apartamento em Copacabana, na zona sul do Rio, Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, se entregou à polícia na última quarta-feira, 4, usando uma camiseta preta com a inscrição “regret nothing”. A frase, que significa “não se arrependa de nada”, é associada a grupos com lemas masculinistas.

A reportagem tenta contato com o advogado de Simonin. Anteriormente, ele disse que seu cliente é inocente. Não se sabe se Simonin usou a camiseta com a estampa “regret nothing” propositalmente.

Simonin é um dos cinco acusados do estupro coletivo. De acordo com as investigações, a jovem foi espancada e estuprada por cerca de uma hora pelo grupo. O acusado é filho do ex-subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa do Rio José Carlos Costa Simonin.

A frase “regret nothing” foi popularizada pelo influenciador supremacista britânico Andrew Tate. Sua origem, segundo pesquisadores, remonta à expressão popularizada por Benito Mussolini durante o fascismo italiano, “me ne frego”, que significa “não me importo”, “não estou nem aí”.

“Toda a filosofia é de objetificação e apropriação do corpo das mulheres. O estupro é um ato de dominação, de apropriação, do não reconhecimento da noção de consentimento”, explica a pesquisadora Isadora Vianna, do Núcleo de Estudos sobre Desigualdades Contemporâneas e Relações de Gênero (Nuderg), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Quem é Andrew Tate?

Andrew Tate, um ex-campeão mundial de kickboxing, ganhou visibilidade em 2016 ao participar do Big Brother, no Reino Unido. Tate foi expulso do reality show após a divulgação de um vídeo em que aparecia agredindo uma mulher.

Com a popularidade alcançada no programa, ele passou a investir nas redes sociais, disseminando conteúdos misóginos. Seu perfil foi banido de várias redes, como TikTok e Instagram, por violar políticas contra o discurso de ódio. Atualmente, ele só tem conta no X (antigo Twitter), onde tem mais de 11 milhões de seguidores.

Tate é réu em casos de estupro, tráfico humano e exploração sexual – acusações que ele nega. O influenciador é a principal referência das comunidades misóginas online na série Adolescência, da Netflix, que trata da influência dos discursos de ódio contra mulheres entre meninos e da omissão dos pais e da escola frente ao problema.

Segundo o Laboratório de Pesquisa em Internet e Redes Sociais (NetLab) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), existem, atualmente, pelo menos 123 canais online que pregam “discurso de ódio, desprezo, aversão ou controle sobre mulheres”, com mais de 23 milhões de inscritos.

“A machosfera não é apenas um grupo de homens desabafando na internet; ela funciona como um ativismo de ódio organizado que se transformou em um negócio bilionário”, explica o professor Chris Gonzatti, coordenador do curso de Comunicação Digital da Unisinos, que estuda a “machosfera” e dedicou seu doutorado ao tema.

“Influenciadores como Andrew Tate não vendem apenas ideias, eles vendem um estilo de vida baseado na ostentação e no desprezo pelas mulheres. Para esses líderes, a misoginia é o produto que gera engajamento e lucro.”

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