Tarcísio vê como ‘oportunidade’ EUA considerarem PCC e CV como organizações terroristas; entenda
Operação contra PCC e Comando Vermelho no interior de SP
Ministério Público de São Paulo e Polícia Militar deflagraram ação conjunta contra as duas facções. Crédito: Polícia Militar/Divulgação
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse nesta quarta-feira, 11, encarar como uma “oportunidade” o fato de os Estados Unidos considerarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A classificação já foi defendida por Tarcísio anteriormente, quando o deputado federal e ex-secretário de Segurança Pública paulista Guilherme Derrite (PP-SP) foi indicado para a relatoria do Projeto de Lei Antifacção.
“Entendo que é uma oportunidade. Eu enxergo isso como uma oportunidade porque, a partir do momento em que um governo como o dos Estados Unidos encara o PCC como organização terrorista – e é de fato o que eles são -, fica mais fácil”, disse Tarcísio. “Fica aberto o caminho da cooperação para que a gente possa integrar inteligência, para que a gente possa trazer recursos financeiros e para que a gente possa fazer um combate ainda mais efetivo.”
O governador Tarcísio de Freitas após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO – 29/01/2026
O Departamento de Estado norte-americano ainda não tem uma data para decidir sobre a reclassificação, à qual o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se opõe. “Os EUA veem as organizações criminosas do Brasil, incluindo PCC e CV, como ameaças significativas à segurança regional devido ao seu envolvimento com tráfico de drogas, violência e crime transnacional”, afirmou o porta-voz da diplomacia do governo de Donald Trump.
Conforme balanço do Ministério Público paulista, o Primeiro Comando da Capital tem membros distribuídos hoje por 28 países, incluindo os Estados Unidos. Mais recentemente, o órgão estimou ainda que a facção movimenta cerca de R$ 10 bilhões ao ano.
Como mostrou o Estadão, a classificação de facções brasileiras foi alvo inclusive de uma conversa entre ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado do governo americano, Marco Rubio.
No ano passado, o enquadramento das facções foi alvo de discussões no Brasil, no âmbito do avanço do Projeto de Lei Antifacção, mas a medida não teve apoio do governo Lula sem apoio do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao mesmo tempo, governadores, incluindo Tarcísio de Freitas e Cláudio Castro (PL, do Rio de Janeiro), defenderam o enquadramento das facções como terroristas para, na avaliação deles, reforçar o combate ao crime organizado.
Os pedidos ganharam força após a megaoperação deflagrada contra o Comando Vermelho no Rio que deixou mais de 120 mortes. A incursão, ocorridas nos complexos da Penha e do Alemão, foi a mais letal da história do Estado. Os principais alvos, ainda assim, não foram capturados.



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