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Erros grosseiros fazem parte do futebol e ficam na memória – 12/03/2026 – O Mundo É uma Bola

Erros grosseiros fazem parte do futebol e ficam na memória – 12/03/2026 – O Mundo É uma Bola

Via de regra, o que mais lembramos no futebol são momentos de glória. Gols em partidas decisivas fixam-se na memória.

Instantaneamente, ao “pensar para trás”, vem-me à cabeça o primeiro gol de Ronaldo Fenômeno na final da Copa de 2002, no Japão, após uma “batida de roupa” do goleiro alemão Kahn. Foi o jogo que rendeu ao Brasil sua última estrela na camisa, a quinta.

Em seguida, o golaço de bicicleta que o galês Bale marcou pelo Real Madrid na decisão da Champions League de 2018, na Ucrânia, diante do Liverpool. Eu estava no estádio.

Outro de bicicleta (adoro essa finalização: plástica, acrobática, de difícil execução) facilmente lembrado é o de Neto (hoje apresentador/comentarista) pelo Guarani, no jogo de ida da final do Paulista de 1988, contra o Corinthians.

Você deve ter os seus gols mais memoráveis, do seu time, da seleção brasileira, de um craque deste século, caso você seja mais jovem, de um craque do século passado, caso você seja mais velho.

Há, contudo, o reverso da moeda: os momentos fincados na memória pelos erros. Quanto mais grotescos e/ou relevantes eles tiverem sido, mais são lembrados.

O primeiro de que me recordo é o pênalti desperdiçado por Zico nas quartas de final da Copa de 1986, no México. Aos 13 anos, eu torcia entusiasticamente para a seleção. Foi uma frustração gigantesca quando o camisa 10 bateu mal e o francês Bats defendeu. O Brasil acabou eliminado.

E o que dizer do argentino Martín Palermo, hoje treinador? Quando jogador, desperdiçou três pênaltis em uma partida, contra a Colômbia, na Copa América de 1999. Parou no Guinness.

Cito ainda uma falha folclórica: no Paulista de 1998, o palmeirense Oséas, depois de escanteio batido pelo Corinthians, cabeceou firme para as próprias redes. Parecia até consciente do que fazia, tamanha a determinação com que atacou a bola. Não estava, tanto que, atordoado pela asneira, errou de vestiário no intervalo, indo para o do adversário.

São lembranças de decepção, espanto, incredulidade. Há as que deixam pena.

Aconteceu nesta semana, em Atlético de Madri 5 x 2 Tottenham, pelas oitavas de final da Champions. Em péssima fase, o time inglês mudou o goleiro titular para esse jogo. Saiu o italiano Guglielmo Vicario, entrou o tcheco Antonín Kinsky.

Aos 5 minutos, Kinsky escorregou ao sair jogando, entregou a bola ao rival, e o Atlético abriu o placar (Llorente). Aos 15 minutos, ao receber um recuo, embananou-se e “passou a bola” para Julian Álvarez fazer 3 a 0. Aos 16 minutos, foi trocado por Vicario.

As falhas impressionaram, porém o que ficará é o contexto da substituição sumária. Kinsky deixou o campo de cabeça erguida, mesmo cabisbaixo por dentro. Recebeu o consolo de dois colegas (pouco!), mas o técnico, o croata Igor Tudor, não se dirigiu a ele: não teve abraço, palavra, uma troca de olhar.

Tão marcante como os erros é a falta de empatia do responsável pela escalação. Kinsky, 22, teve seu pior dia na vida profissional. Precisa de amparo, de incentivo. E de divisão de responsabilidade.

Nesse caso, a chefia, mesmo que indiretamente, também errou. É preciso, do superior imediato, atitude imediata de compaixão. Colocar-se no lugar. Tudor foi tão grosseiro quanto as falhas do subordinado. Eu me lembrarei.

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