Campanha de vacinação contra chikungunya começa no dia 27 de abril em Dourados
Nem todas as pessoas poderão tomar a dose devido às contraindicações estabelecidas pelo Ministério da Saúde
A campanha de vacinação contra o vírus da chikungunya na Reserva Indígena e no perímetro urbano de Dourados inicia na próxima segunda-feira (27). Conforme o COE (Centro de Operações de Emergências) em Saúde Pública, criado pela Prefeitura do municípios, a ação compõe estratégias definidas no ‘Plano de Ação de Incidente’ para enfrentamento à doença.
O primeiro caminhão com doses da vacina chegou em Dourados na noite da última sexta-feira (17). Assim, entre quarta (22) e quinta-feira (23), haverá uma capacitação que deve preparar os profissionais para esclarecer restrições e identificar comorbidades.
Além disso, Marcio Figueiredo, secretário municipal de Saúde e coordenador-geral do COE, explica que nem todas as pessoas poderão tomar a dose devido às contraindicações estabelecidas pelo Ministério da Saúde. “Esse esquema vacinal será mais lento, já que antes de receber a dose o público alvo precisa passar por avaliação do profissional de saúde”, informa.
Distribuição de doses
Conforme Figueiredo, a distribuição das doses para todas as salas de vacinação do município, incluindo as unidades da saúde indígena, ocorrerá nesta sexta-feira (24). Na próxima segunda-feira (27), a vacinação inicia em todas as unidades de saúde e no dia 1° de maio, feriado do Dia do Trabalhador, haverá uma ação de vacinação das 8h às 12h, em formato Drive-Thru, no pátio da Prefeitura de Dourados.
Apenas pessoas com mais de 18 anos e menos de 60 anos poderão receber a vacina contra Chikungunya, de acordo com as regras definidas pelo Ministério da Saúde. O imunizante, desenvolvido pela empresa farmacêutica Valneva em parceria com o Instituto Butantan, visa prevenir a doença transmitida pelo Aedes aegypti. A meta é vacinar pelo menos 27% da população-alvo (moradores de Dourados de 18 a 59 anos), o que corresponde a cerca de 43 mil pessoas.
Aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em abril de 2025, a vacina será administrada estrategicamente nas regiões de potencial risco de transmissão da doença nos próximos anos. Ao todo, cerca de 20 municípios de seis estados estarão envolvidos, conforme planejamento alinhado com o Ministério da Saúde.
A seleção dos municípios considerou desde fatores epidemiológicos, relacionados à potencial ocorrência de casos de chikungunya em regiões onde o vírus já está circulando, até o tamanho populacional dos municípios e a facilidade operacional de se implementar uma nova vacina no sistema local de saúde em um curto prazo.
O Informativo Epidemiológico divulgado nesta segunda-feira (20) pelo COE em Saúde Pública aponta que Dourados tem 4.972 casos prováveis da doença, com 2.074 casos confirmados, 1.212 casos descartados e outros 2.900 casos em investigação. Até o momento, confirmaram-se 8 mortes em razão de complicações pela Chikungunya, sendo 7 delas de moradores da Reserva Indígena de Dourados.
Vacina segura
A demonstração da segurança da vacina e sua capacidade de gerar anticorpos ocorreu em estudos clínicos feitos nos Estados Unidos e no Brasil, publicados em revistas científicas internacionais. Nos EUA, cerca de 99% dos voluntários apresentaram resposta imunológica com anticorpos neutralizantes. Assim, as contraindicações seguem as orientações da bula aprovada pela Anvisa, incluindo pessoas imunodeficientes, imunossuprimidas, com hipersensibilidade aos componentes da vacina e gestantes.
A Chikungunya é uma doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite dengue e Zika. Entre os sintomas, a doença costuma causar febre de início súbito (acima de 38,5°C) e dores intensas nas articulações de pés e mãos, além de dor de cabeça, dor muscular e manchas vermelhas na pele. Em casos mais raros, o vírus pode atingir o sistema nervoso central e gerar problemas neurológicos.
O principal impacto da Chikungunya é a dor nas articulações, que pode se tornar crônica, com duração de meses a anos. Sem um antiviral específico disponível, o tratamento acontece com antitérmicos e analgésicos, além de repouso e hidratação. Em estudos, a vacina foi geralmente bem tolerada, com eventos adversos em sua maioria de intensidade leve a moderada, e induziu resposta imunológica após uma única dose.
Contraindicações
A vacina contra Chikungunya não pode ser aplicada em:
- gestantes ou lactantes;
- pessoas que façam uso de medicamentos imunossupressores, como corticóides em altas doses;
- pessoas com imunodeficiência congênita;
- pessoas que estão em tratamento de câncer com uso de quimioterapia e radioterapia;
- transplantados de órgão sólido;
- transplantados de medula óssea há menos de 2 anos;
- pessoas com HIV/Aids;
- pessoas com doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatóide;
- pessoas com duas dessas condições médicas crônicas: diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, arritmia cardíaca, doença pulmonar crônica, doença renal crônica, obesidade (maior que IMC 30), doença hepática crônica, câncer (tratamento ou remissão).
- pessoas que tenham tido Chikungunya nos últimos 30 dias;
- pessoas que estejam em estado febril grave;
- pessoas que tenham recebido outra vacina de vírus atenuado nos últimos 28 dias;
- pessoas que tenham recebido vacina de vírus inativado nos últimos 14 dias.
Estudos complementares
A vacinação em regiões endêmicas (onde o vírus circula) será crucial para avaliar a efetividade do imunizante – ou seja, sua capacidade de reduzir casos da doença em contexto real. Para isso, o Instituto Butantan irá monitorar os casos positivos e negativos de chikungunya nos municípios participantes da estratégia, comparando os dados entre vacinados e não vacinados.
É fundamental que toda a população de Dourados fique atenta aos sintomas da doença e busque uma unidade de saúde em caso de febre acompanhada de dor nas articulações e/ou dor no corpo. Isso contribuirá para o diagnóstico e acompanhamento adequado dos casos.
Além disso, o Instituto Butantan também irá conduzir um estudo de pós-comercialização a fim de monitorar a segurança da vacina. A pesquisa irá identificar as gestantes que tomaram a vacina e não sabiam que estavam grávidas ou que engravidaram nos primeiros 30 dias após a vacinação. As mulheres que escolherem participar do estudo serão acompanhadas durante toda a gestação e no pós-parto.
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