Bíceps femoral, um vilão às portas da Copa do Mundo – 30/04/2026 – O Mundo É uma Bola
Éder Militão (zagueiro e lateral direito/Real Madrid), 28, provável titular da seleção brasileira, fora da Copa do Mundo. Bíceps femoral.
Estêvão (atacante/Chelsea), 19, possível titular da seleção brasileira, muito provavelmente fora da Copa do Mundo. Bíceps femoral.
Raphinha (atacante/Barcelona), 29, provável titular da seleção brasileira, em recuperação da terceira lesão em seis meses. Bíceps femoral.
Wesley (lateral direito/Roma), 22, possível titular da seleção brasileira com a ausência de Militão, afastado por um mês das partidas. Bíceps femoral.
Os quatro casos envolvem jogadores do Brasil. Além deles, o espanhol Lamine Yamal, 18, um dos mais badalados craques da nova geração, colega de clube de Raphinha, e o turco Arda Güler, 21, companheiro de clube de Militão, recentemente se contundiram e, caso se recuperem a tempo, não chegarão ao Mundial, que começa no dia 11 de junho, em condições perfeitas. Bíceps femoral.
Esse músculo apresenta-se como um grande vilão. Ele situa-se na parte posterior (atrás) da coxa e funciona para a flexão do joelho e a extensão do quadril.
Simplificando a lesão: o jogador sente, geralmente quando dá um pique, uma “fisgada” ali. A dor é imediata. Vem a dificuldade para caminhar, o inchaço. A depender do grau, há ruptura muscular total, e nesse caso é indicada a cirurgia.
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Dá para evitar esse tipo de contusão? A resposta, impiedosa, é: não. Por mais que o jogador esteja bem preparado/condicionado, ele está sujeito ao “estouro” do músculo. Por quê?
Porque decorre de um movimento comum no futebol: correr aceleradamente e desacelerar subitamente. Aí o bíceps femoral pode não suportar. O ato de chutar também oferece perigo, porém é menor que a corrida em alta velocidade.
“É uma lesão típica. Responsável por 1/3 das lesões musculares no futebol. Muito relacionada com a intensidade do esforço e com alta taxa de recorrência. Um bom trabalho de prevenção diminui em até 30% a chance de ocorrência”, relatou-me André Pedrinelli, do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Detectada a lesão, se os exames de imagem não apontam nível de gravidade muito elevado, o atleta passa por um tratamento conservador, que envolve repouso seguido de fisioterapia.
Um dos exercícios mais recomendados para fortalecer o bíceps femoral é a flexão nórdica. Que pode, e deve, ser feito preventivamente, não apenas curativamente. O atleta fica de joelhos, com os pés fixos/presos, e desce o corpo lentamente, com o tronco reto. Vai até o máximo que puder antes de retornar. E repete, repete, repete, dia a dia, a fim de dar resultado.
O problema é que, mesmo estando o jogador clinicamente bem, não há certeza de não reincidência. “Uma lesão anterior”, nas palavras de Pedrinelli, “é o maior fator de risco para uma recidiva. Sete vezes mais importante que qualquer outro fator.”
Por isso, as situações de Raphinha e Wesley, mesmo menos graves que as de Militão e Estêvão, preocupam. Sem recidiva, até podem estar na lista de Carlo Ancelotti. Mas e se a recorrência vier durante a Copa? Valem o risco?
Raphinha, considerado craque, sim. Wesley, a um cafundó de distância de ser um Carlos Alberto Torres ou um Cafu, não.
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