IA transforma nossas casas em fontes de dados para gerar comodidade
Alexandre Frankel, CEO da Housi: “o prédio é um hardware analógico que pode ser digitalizado” – Foto: reprodução
O setor imobiliário normalmente apresenta inovações lentas. Mas a inteligência artificial, combinada a outras tecnologias, começa a transformar tijolos e concreto em dados que depois são revertidos em serviços para os moradores e negócios para empresas.
De alguns uns anos para cá, os condomínios passaram a refletir as mudanças no comportamento da população, incorporando diferentes serviços em suas dependências. Nas grandes cidades, a motivação passa, por exemplo, pelo aumento da violência e pelo tempo gasto no trânsito; nas pequenas, a comodidade pode suprir até mesmo a ausência de alternativas nas ruas.
A empresa paulistana Housi percebeu esse movimento e criou uma plataforma de negócios que oferece uma gama de serviços para condomínios, de minimercados a carregadores para carros elétricos, passando por limpeza, bicicletas compartilhadas e até cuidados para moradores idosos. A instalação depende do interesse das partes e do espaço físico disponível.
“O prédio é um hardware analógico que pode ser digitalizado e melhorar a vida das pessoas”, afirma o CEO, Alexandre Lafer Frankel. “Cada um tem uma curadoria de serviços totalmente adaptável, tanto às condições do prédio quanto às regionais.”
A Housi atende hoje cerca de 320 mil unidades em aproximadamente 1.600 condomínios, distribuídos em 230 cidades no Brasil. Todas as transações são gerenciadas por seus aplicativos, o que gera um oceano de dados valiosos para a empresa e para os fornecedores.
“Eu sei os hábitos de consumo, desde o produto até o horário e o dia, e isso tem muito valor para a indústria, até mesmo para experimentação”, explica Frankel. “Dificilmente ela consegue acessar isso em um varejo tradicional.”
O morador também se beneficia. A partir dessa informação, a empresa pode ajustar os serviços e até o mix de produtos oferecidos para cada condomínio. O executivo contou um caso em que o minimercado do condomínio começou vendendo chinelos, mas eles não chamaram a atenção dos moradores, que pareciam mais interessados em água mineral. A partir dessa informação, foi feita a troca, o que multiplicou o faturamento da loja por 15.
Isso gera um risco óbvio e nada desprezível. Como as transações são gerenciadas pelos aplicativos, elas são associadas a cada usuário. E algumas das transações podem incluir dados pessoais bastante sensíveis. “A gente tem que usar os dados com muita responsabilidade, de uma forma macro, nunca individualizados”, detalha Frankel, que garante que eles não são compartilhados com os fornecedores.
O modelo de negócios da Housi prevê que a empresa fique com uma porcentagem de cada transação realizada. Todos os equipamentos são dos fornecedores, que, com a plataforma, abrem novos canais a custos mínimos. Do lado dos condôminos, todos se beneficiam dos serviços, mesmo os que não usam nenhum, pois uma parte da receita gerada é revertida para o condomínio, que fica mais barato para todos.
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Frankel acha que esse tipo de serviço ainda está longe de estar consolidado, em um mercado que, no Brasil, tem 75 milhões de moradias. Ainda assim, ele já vê mudanças onde a Housi atua, como o aumento de 18% do valor do imóvel para venda e 15% para aluguel.
Os dados na base da Housi também permitem mudanças intensas nos perfis dos serviços oferecidos em imóveis e até cidades com grandes sazonalidades. O exemplo clássico são cidades litorâneas, cuja população chega a ser multiplicada por 15 em períodos de alta temporada, com visitantes de perfis de consumo muito diferentes dos dos moradores. Com isso, serviços e produtos podem mudar completamente em cada época do ano.
Frankel acredita que propostas assim podem alterar a própria relação das pessoas com suas residências, que começam a ser também os lugares onde trabalham, se divertem e fazem compras. “É uma interação muito maior do que a que você tinha até então”, conclui.


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