Roubo e tráfico de drogas: quem é o suspeito em caso de primas desaparecidas no PR
O suspeito de envolvimento no desaparecimento das primas Sttela Dalva Melegari Almeida e Letycia Garcia Mendes, ambas de 18 anos, no interior do Paraná, tem uma ficha criminal que inclui condenações por crimes como tráfico de drogas e roubo agravado, além de dezenas de passagens pela polícia desde a adolescência. Clayton Antonio da Silva Cruz, de 39 anos, é considerado foragido e está sendo procurado pela polícia — tanto pelo desaparecimento das jovens quanto por uma condenação por roubo. A defesa dele não foi localizada.
O desaparecimento das duas primas foi registrado em 23 de abril pelas mães, em Cianorte, no interior do Paraná. Elas haviam saído com o suspeito para uma festa. Desde então, as buscas pelas jovens estão sendo feitas pelas polícias Civil e Militar. O último contato delas com as famílias ocorreu no fim da noite de 20 de abril, mas, na madrugada do dia 21, a jovem Sttela ainda publicou uma foto em uma rede social na qual o suspeito e ela aparecem — Letycia foi apenas marcada na publicação.
Condenações
Clayton, conhecido também pelos apelidos de “Sagaz”, “Dog Dog” e “Cleitinho”, teve cerca de 20 passagens pela polícia quando ainda era adolescente. Depois da maioridade, seguiu acumulando registros policiais. “Ele é uma daquelas figurinhas carimbadas da polícia. Sempre envolvido em algum delito”, conta Zoroastro Nery do Prado Filho, delegado de Mandaguari, também no interior do Paraná.
Há 30 anos no cargo na mesma cidade, o delegado conhece o histórico do suspeito, que é nascido e morou por muito tempo no município. Em 2008, Clayton foi preso em uma operação da Polícia Civil contra o tráfico de drogas batizada de Chaves. “Ele, a esposa, um tio e uma tia foram presos nessa operação. Prendemos 28 pessoas no total. Ele chegou a cumprir sete anos na prisão por esse caso”, relembra o delegado.
O envolvimento dele rendeu uma condenação de 18 anos, oito meses e 15 dias de prisão pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte ilegal de arma de fogo, posse ilegal de arma de fogo e desobediência. Até recentemente, ele cumpria a pena em regime aberto. Porém, pediu mudança de endereço sem justificar o pedido. Uma audiência foi marcada neste ano e ele não compareceu.
Clayton Antonio da Silva Cruz, de 29 anos, é o principal suspeito pelo desaparecimento das primas de 18 anos no Paraná Foto: Polícia Civil do Paraná/Divulgação
Em 2022, Clayton se envolveu em outro episódio que lhe rendeu uma condenação criminal em Apucarana, também no Paraná. Por esse caso, ele também é considerado foragido. O processo está em segredo de justiça.
O Estadão apurou que ele e dois comparsas teriam roubado a casa de um ex-prefeito de Cambira, cidade entre Mandaguari e Apucarana. Ele não apresentou defesa e foi julgado à revelia. Os criminosos, armados, teriam arrombado uma janela da casa com uma marreta e mantido um casal refém, além de fugir levando diversos objetos, como joias e TV, e dois carros da família.
Outros dez registros de ocorrências aos quais a reportagem teve acesso mostram que, em ao menos duas oportunidades, Clayton teve armas apreendidas pela polícia. Em 2017, quando ainda estava preso, ele foi acusado por meio do disque-denúncia de estar portando celular na cadeia, vendendo drogas e planejando uma fuga. Durante as buscas, os policiais chegaram a encontrar celulares e chip na cela, mas nenhum detento assumiu a autoria. No mesmo ano, ele foi pego com um celular na prisão.
Buscas pelas jovens
No boletim de ocorrência, as mães relataram que as filhas disseram que iriam para uma festa em Maringá, que fica a cerca de 80 km de Cianorte, com o suspeito. Depois da festa, as garotas tinham a intenção de viajar até Porto Rico, às margens do Rio Paraná, local conhecido pelas praias de água doce. Clayton, que conhecia Letycia, buscou as primas em Cianorte e em Jussara, cidade vizinha, onde mora a família de Sttela. Elas viajaram com o homem em uma caminhonete preta.
Segundo o delegado do caso, Luís Fernando Alves Silva, o suspeito usava identidade falsa em Cianorte e se apresentava com o nome de Davi para ocultar a identidade e evitar a ação da Justiça. A investigação também apurou que ele se conectou à internet na manhã de 23 de abril e que, no dia seguinte, teria passado pela cidade de Maringá.
As primas Sttela Dalva Melegari Almeida e Letycia Garcia Mendes, ambas de 18 anos, moradoras do Paraná, estão desaparecidas há mais de duas semanas Foto: Reprodução/Redes sociais
Na semana passada, uma força-tarefa das polícia Civil e Militar vasculhou áreas da cidade de Paranavaí, que fica na mesma região, após pistas do paradeiro das garotas. “Estamos trabalhando em conjunto. Demos apoio operacional para fazer buscas em terrenos e locais designados pela Civil. (Nesse dia) acabamos não encontrando nada”, explicou Bruna Fernandes, tenente da PM do Paraná.
O setor de inteligência da polícia está analisando dados e imagens de câmeras de segurança de locais em que as jovens e o suspeito possam ter passado. Novas diligências em cidades da região não estão descartadas. A Secretaria de Segurança do Paraná determinou que o caso seja tratado como prioridade.
Até o momento, a principal linha de investigação da polícia é a de homicídio. O delegado do caso, Luís Fernando Alves Silva, disse ter reunido fortes indícios, com base em depoimentos, reconhecimento formal e análise de documentos, de que o homem tenha praticado sozinho o crime contra as jovens. Por isso, a Justiça decretou a prisão temporária dele em 29 de abril. A investigação tramita em sigilo.
“Não descartamos os crimes de sequestro e cárcere privado, mas consideramos muito difícil. A gente não tem resgate, não tem pedido de nada. Por isso, a principal linha continua sendo de homicídio com possível feminicídio, a depender do grau de relacionamento”, explicou o delegado do caso.
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‘Coração de mãe diz que estão vivas’
Ana Erli Melegari, mãe da jovem Sttela, esteve com o delegado e investigadores do caso na segunda-feira, 4, mas voltou para casa sem novidades sobre o paradeiro da filha. “Eles dizem que estão trabalhando, fazendo arrastão, checando sinais de celulares, mas é isso que temos até agora”, contou ao Estadão. Ela tem outras duas filhas e um filho. Sttela mora com a mãe e as duas irmãs.
Segundo ela, o suspeito não fazia parte do círculo de amizades de Sttela e era conhecido de Letycia. “A gente descobriu que conheceram ele numa danceteria em Cianorte”, disse. “Só queremos as meninas, não importa onde estiverem, que alguém mande uma mensagem, qualquer coisa. Eu não quero saber dele (o suspeito), quero que fale onde estão as meninas, se estão vivas ou mortas”, afirmou.
“Passa de tudo na cabeça da gente, né? Minha sobrinha perguntou o que o coração de mãe estava sentindo. Eu falei que meu coração de mãe diz que estão vivas. Mas meu coração de mãe fala que estão sofrendo muito”, desabafou Ana. Ela também disse temer que as jovens tenham sido sequestradas para serem exploradas sexualmente.
Ana explicou que conversou pessoalmente com a filha pela última vez no domingo antes do desaparecimento, em um dia normal com familiares reunidos. No dia seguinte, elas se falaram por telefone. “Ela sempre saía com as amigas, com as meninas, mas não deixava de fazer contato pelo celular. Ela e a irmãzinha de dois anos são grudadas. Então, mesmo fora, a gente fazia chamadas de vídeo. Agora, a nenê fica pedindo pela ‘tata’”, contou a mãe.



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