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Conheça Nívia de Lima, 1ª auxiliar técnica na Série A – 11/05/2026 – Esporte

Conheça Nívia de Lima, 1ª auxiliar técnica na Série A – 11/05/2026 – Esporte

Nívia de Lima, 44, teve uma experiência marcante no mês passado. No empate por 1 a 1 da Chapecoense com o Vitória, na Arena Condá, em Chapecó, tornou-se a primeira mulher a atuar como auxiliar técnica em uma partida da primeira divisão masculina do Campeonato Brasileiro.

“O que passava na cabeça ali era aproveitar e desfrutar de tudo o que me levou até ali”, afirmou. “Tento não me resumir a esses momentos históricos, porque tenho uma trajetória dentro do futebol. O meu sentimento era que estava pronta. Procurei aproveitar da melhor forma e agradecer ao clube pela confiança no meu trabalho.”

A pernambucana de São Lourenço da Mata procurou tratar seu feito com naturalidade. Segundo ela, o tratamento recebido dentro do clube de Chapecó sempre foi positivo. “Nunca me julgaram por ser mulher, mas, sim, pela minha competência. Vejo isso na comissão e nos atletas”, disse.

Ela tem consciência, porém, de que nem todos têm a mesma abertura. Já com uma longa estrada no futebol, a profissional observou um preconceito enraizado e barreiras estruturais que ainda tornam difícil a vida de uma mulher no futebol, especialmente o masculino.

Não é por falta de capacidade que só tenha havido na história uma auxiliar técnica na Série A. E por um jogo. Na ocasião, Nívia, que atua na base da Chapecoense, foi chamada para compor uma comissão técnica interina entre a demissão de um técnico (Gilmar Dal Pozzo) e a chegada de outro (Fábio Matias).

“Quando um homem erra, isso é visto como uma decisão equivocada. Quando é uma mulher, muitas vezes o julgamento é pelo gênero. Já ouvi comentários como ‘o que ela está fazendo aí?’ ou ‘vai lavar louça’. Muitas vezes, não me associam a uma função técnica”, observou.

Nívia trabalha no futebol desde 2012 e construiu toda a carreira nos times de base da Chapecoense. Ela atuou como assistente em diferentes categorias –e notou que muitos tinham dificuldade para aceitar sua presença– até atingir a posição de comandante da formação sub-20.

A pernambucana foi promovida oficialmente ao cargo em 2024. Em 2025, chegou à final do Campeonato Catarinense da categoria e dirigiu a equipe profissional alternativa usada na Copa Santa Catarina. Neste ano, tornou-se a primeira mulher com uma vitória como técnica principal na tradicional Copa São Paulo de juniores, a Copinha.

Após a breve experiência no Campeonato Brasileiro, na qual trabalhou como auxiliar de Celso Rodrigues, Nívia retornou ao time sub-20. E tem também atuado como assistente de Celso no grupo alternativo que disputa a Copa Sul-Sudeste –os principais atletas estão no Brasileiro.

Dados da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) mostram que há mais mulheres formando-se treinadoras. Em 2019, 62 participaram de cursos da CBF Academy, braço da confederação que oferece qualificação e certificação aos técnicos e técnicas. O número subiu para 318 em 2020 e chegou a 420 em 2021, com aumento também na participação proporcional.

A Fifa (Federação Internacional de Futebol) anunciou medidas para ampliar a presença feminina. A partir desta temporada, equipes de competições femininas organizadas pela entidade devem ter ao menos duas mulheres no banco de reservas, sendo uma delas técnica principal ou assistente.

De acordo com a federação internacional, a exigência –que valerá para a Copa do Mundo de 2027, que ocorrerá no Brasil– será acompanhada de investimentos em formação e desenvolvimento profissional. No Mundial feminino de 2023, apenas 12 das 32 seleções eram comandadas por mulheres.

No cenário nacional, a presença também é limitada. Quando teve início a atual edição do Campeonato Brasileiro, só 2 dos 16 times tinham treinadoras. Se é assim na disputa feminina, não fica difícil imaginar como se desenha a situação nas equipes masculinas.

“Existem muitas mulheres capacitadas, mas o sistema ainda precisa abrir mais espaço. Sem oportunidade na base do futebol masculino, é difícil chegar a cargos mais altos”, afirmou Nívia. “Há a ideia de que a mulher deve trabalhar apenas com equipes femininas, mas podemos atuar em qualquer área para a qual estejamos preparadas.”

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