Axé Running, o circuito criado por Bell Marques e filhos – 09/03/2026 – No Corre

Axé Running, o circuito criado por Bell Marques e filhos – 09/03/2026 – No Corre

O circuito de corridas 100% Você, que surgiu em janeiro do ano passado para dar impulso ao negócio de suplementação alimentar da família do ídolo da axé music Bell Marques, 73, cresceu e apareceu.

Em um único ano, as provas de 5 km e 10 km que antecedem o show do duo de Rafa e Pipo, filhos de Bell, aqui com participação mandatória do pai, passaram por todas as capitais do Nordeste, além de Belém, Brasília e Goiânia.

Agora, após repeteco em Salvador em janeiro e em Fortaleza no fim de março, o circuito se estende mais a sul: desembarca em Vitória e no Rio em abril. Depois, em 1º de maio volta a Brasília.

O evento é massivo, como também são os Carnavais fora de época pelo Brasil. Em João Pessoa, em novembro passado, a corrida chegou a contar com cerca de 15 mil inscritos, segundo os organizadores.

Para Pipo Marques, 32, que ano passado completou sua primeira maratona, a de Berlim, em tempo decentíssimo sub 3h40, a meta deste ano é chegar a 30 eventos. O circuito, como ele disse à coluna, “tomou proporções jamais imaginadas” e “é possível que se torne o maior da América Latina até o final do ano”.

A ambição é grandiosa, mas, segundo Pipo, longe de ser “a principal preocupação” da família. É também pouco factível. Dois enormes circuitos de corrida de marcas de lifestyle nacional, Track&Field e Live, ambos também alavancados por grifes financeiras, disputam a primazia: em 2026, o da Live promete 80 eventos; o Run Series, da T&F, 75, mas ambos com um cardápio maior de distâncias para além dos tradicionais 5 km e 10 km.

Mas Pipo, Rafa e Bell podem dizer que oferecem o diferencial da axé music, e, de fato, sobem ao palco logo depois de se recuperarem da prova de 5 km, que jamais dispensam.

Ter um show musical, curiosamente com uma atração baiana ao final da corrida, não é exclusividade de Bell e filhos, já que vai de vento em popa por pequenas cidades do Sudeste o circuito Toca Raul, criado pelo santista Washington Reis, alguém que não era fã de Raul Seixas mas soube entender o impressionante apelo que Raulzito mantém tantos anos após sua morte.

Ao final da corrida de 7 km e da caminhada de 2 km, há sempre um show de covers de Raul, às vezes protagonizado por um dos sósias que suavam a regata (ou o paletó) minutos antes, na prova. No próximo sábado (14), a caravana agita a mineira Bueno Brandão. Dia 28 é a vez de Peruíbe, onde em encarnações passadas Reis foi duas vezes secretário Municipal de Esportes.

É sintomático que dois populares circuitos de corrida brasileiros se fiem em atrações musicais para ganhar impulso, mas se no ano passado o maratonista aposentado queniano Paul Tergat veio ao Brasil esquentar o centenário da São Silvestre, outro conterrâneo de Tergat, este “alive and kicking”, embora já não mais no top 10 da categoria, deverá vir disputar um 42,2 km de inverno por aqui. O anúncio será feito em alguns dias.

Um queniano dessa latitude é uma atração “major” para os amadores que se veem como profissionais —e que consomem como tal, para deleite da indústria. O que esses corredores talvez não conheçam ainda é a capacidade de gerar energia que a música baiana oferece a seus adeptos.

Não duvido que seja mais energia do que aquela “devolvida” pela entressola de seus tênis responsivos.

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