Ministérios se unem para repudiar vídeos no TikTok que simulam agressões a mulheres: ‘Inadmissível’
Números assustadores’, diz Maria da Penha sobre casos de feminicídio no Brasil
Em entrevista ao Estadão, ativista diz que é preciso levar políticas públicas para o interior. Crédito: Maria da Penha
*Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.

Procuradoria sustenta que vídeos também podem configurar estímulo à prática de crimes previstos no Código Penal, entre eles feminicídio, lesão corporal e intimidação sistemática. Foto: Reprodução
As imagens, que foram postadas no TikTok, e já foram retiradas da plataforma, exibem jovens simulando chutes, socos e esfaqueando manequins que representam a figura feminina. “Treinando caso ela diga não”, diz um texto. Na tela, é exibida uma mensagem que justifica a violência, com recomendações explícitas para casos de negativas de relacionamento, beijos ou casamento. O Estadão pediu manifestação do Tik Tok.
“Diante da gravidade do caso, os ministérios defendem a apuração célere, rigorosa e transparente dos fatos pelas autoridades competentes. A divulgação de conteúdos que naturalizam ou incentivam a violência de gênero é inadmissível, sobretudo em um contexto em que o País registra, em média, quatro feminicídios e dez tentativas de feminicídio por dia”, diz a nota publicada nesta terça-feira pelo Ministério das Mulheres e o Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Para contextualizar a urgência do caso, o documento da Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia encaminhado à PF cita dados do Relatório Anual de Feminicídios no Brasil 2025, elaborado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina. O levantamento mostra 6,9 mil vítimas de casos consumados e tentados de feminicídio em 2025, o que representa um aumento de 34% em relação ao ano anterior.
A notícia-crime também faz referência a compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, como a Convenção de Belém do Pará e a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), que reforçam a responsabilidade do Estado em prevenir e combater a violência de gênero.



Publicar comentário