Raízen entra com pedido de recuperação extrajudicial
A gigante do etanol Raízen está protocolando na noite desta terça-feira (10) um pedido de recuperação extrajudicial após ficar sem alternativas diante de uma dívida bruta que ultrapassa os R$ 70 bilhões.
A companhia, controlada por Cosan e Shell, já conta com o apoio de credores representando mais de 40% da dívida e terá 90 dias para atingir a maioria necessária para a aprovação do plano, conforme exige a legislação, apurou o InvestNews com fontes próximas à companhia. Trata-se da maior recuperação extrajudicial já registrada no país.
O plano deverá abranger cerca de R$ 65 bilhões em dívidas e vai estabelecer a suspensão do pagamento de juros, o chamado “standstill“, válido por 90 dias a partir desta quarta-feira (11).
Nesses três meses, Raízen e credores vão negociar os termos definitivos da reestruturação, o que deverá incluir alongamento de prazos, conversão de dívida em ações e eventuais descontos na dívida, os chamados haircuts.
Negociação em curso
Conforme mostrou a Bloomberg mais cedo, os bancos são credores de cerca de metade do endividamento, enquanto bondholders, detentores de CRAs e debenturistas respondem pela outra metade. Tanto a Raízen quanto seus credores já reduziram posições de hedge cambial que haviam sido montadas para honrar dívidas em dólar, sinal de que as conversas avançam.
O plano de capitalização está lastreado numa oferta da Shell para aportar R$ 3,5 bilhões na companhia, além de um compromisso de Rubens Ometto de injetar R$ 500 milhões como pessoa física, por meio da Aguassanta Investimentos.
Nesta terça, o CEO da Cosan, Marcelo Martins, confirmou em teleconferência de resultados que a companhia não está mais em negociações com a Shell para resgatar a Raízen, deixando os credores e a petroleira como protagonistas da solução.
As negociações preveem conversão de dívida em participação acionária estimada na casa de 40%, com o objetivo de levar a alavancagem da Raízen para menos de 3 vezes o lucro operacional (Ebitda). Atualmente, a relação dívida líquida/Ebitda da companhia está em torno de 5,3 vezes, com dívida líquida total de R$ 55,3 bilhões, uma alta de 43% em um ano.
A Raízen continuará pagando fornecedores normalmente – a recuperação extrajudicial suspende apenas o serviço das dívidas financeiras.



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