Remessas de soja do Brasil falham em inspeções sanitárias e ameaçam comércio com a China
Alguns embarques de soja do Brasil, maior exportador mundial do grão, não passaram pelas inspeções sanitárias do próprio país, levantando preocupações sobre possíveis interrupções em um momento crucial para o comércio com a China.
Diversas cargas não foram aprovadas em verificações sanitárias realizadas em portos nos últimos dias, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, que pediram anonimato porque os detalhes não são públicos. A situação afetou diretamente navios com destino à China.
A Cargill suspendeu exportações do Brasil para a China por causa do problema, informou a Reuters, citando entrevista com o presidente da empresa no país. Procurada pela Bloomberg, a companhia não forneceu mais detalhes.
O Ministério da Agricultura do Brasil não respondeu imediatamente a pedidos de comentário.
Segundo fontes, a situação pode provocar atrasos nos embarques, embora os problemas ainda não sejam considerados generalizados. Outras cargas continuam sendo enviadas normalmente para a China.
O revés ocorre em um momento sensível para o comércio agrícola global. O Brasil está nas etapas finais da colheita de uma safra recorde de soja e normalmente domina as importações chinesas nesta época do ano. Preocupações com gargalos logísticos ou com a qualidade da soja brasileira poderiam redirecionar a demanda para os Estados Unidos.
O presidente Donald Trump tem pressionado a China a comprar mais soja dos Estados Unidos, após o país asiático cumprir um compromisso inicial de adquirir 12 milhões de toneladas. Desde então, porém, as compras ficaram estagnadas. Atualmente, a soja produzida no Brasil está bem mais barata que a americana.
O tema deve entrar na pauta quando autoridades comerciais de Washington e Pequim se reunirem em Paris neste fim de semana.
Normalmente, autoridades sanitárias brasileiras inspecionam as cargas nos portos, verificando a presença de capim ou outras vegetações, que podem ser consideradas pragas. Após a inspeção, os fiscais podem emitir um certificado sanitário que autoriza os navios a entrar no mercado chinês.



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