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VÍDEO: O que se sabe sobre explosão de foguete da Coreia do Sul em Alcântara, no Maranhão

VÍDEO: O que se sabe sobre explosão de foguete da Coreia do Sul em Alcântara, no Maranhão

Foguete sul-coreano sofre falha após lançamento em Alcântara, no Maranhão

Veículo da Innospace apresentou uma anomalia e não concluiu o voo; nave pode ter colidido com o solo e causado explosão. Crédito: INNOSPACE

O primeiro lançamento comercial de um foguete a partir do Brasil terminou em falha na noite desta segunda-feira, 22. O HANBIT-Nano, desenvolvido pela empresa privada sul-coreana Innospace, fazia parte da Operação Spaceward e sofreu anomalia pouco após a decolagem, tendo o seu voo interrompido.

Na última semana, o voo foi adiado novamente, desta vez por causa da substituição de um componente na unidade de resfriamento do sistema de alimentação de oxidante do primeiro estágio, “onde uma anomalia foi identificada durante as inspeções finais de lançamento”, apontou a Innospace. Não se sabe ainda se o problema que causou a falha nesta segunda-feira foi o mesmo identificado no dia 17.

Após o incidente, o CEO da Innospace, Kim Soo-jong, pediu desculpas aos investidores pela falha no lançamento, lamentando a explosão e a falta de resultado da operação. Kim Soo-jong ainda afirmou que uma investigação está sendo conduzida no local para entender o que causou a anomalia no foguete.

Em nota, a FAB afirmou que equipes da Aeronáutica e do Corpo de Bombeiros do CLA foram enviadas ao local para analisar os destroços e a área da colisão. Segundo a Força Aérea, todas as etapas sob sua responsabilidade – como segurança, rastreio e coleta de dados – foram executadas conforme o planejamento e dentro dos parâmetros internacionais do setor espacial.

A FAB ainda não se pronunciou sobre uma investigação individual do caso, mas presta auxílio à Innospace.

Outros lançamentos

O lançamento do HANBIT-Nano marcou a primeira missão de um foguete totalmente comercial lançado na base, mas não foi o primeiro da marca sul-coreana a passar pelo Maranhão. Em 2023, a Operação Astrolábio, fruto de parceria entre a Innospace e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), lançou o HANBIT-TLV carregado com carga útil e que teve sucesso no voo.

Na época, o veículo foi lançado com equipamentos vindos da Coréia do Sul e instalados em Alcântara, sem utilizar a estrutura construída da base para o voo. A parceria da Innospace com o DCTA foi firmada em 2022, quando as primeiras datas da Operação Astrolábio foram divulgadas. Assim como o lançamento desta segunda-feira, a missão anterior também passou por adiamentos por problemas técnicos.

Centro de Lançamento de Alcântara

A parceria com uma empresa privada de exploração espacial ilustra um movimento conhecido como New Space – a união entre setores para fornecer meios de alavancar a exploração espacial de países. Um dos exemplos mais nítidos desse movimento são os contratos da Nasa, agência espacial americana, com empresas privadas como SpaceX e Blue Origin.

Por aqui, as parcerias visam a utilizar uma das bases com melhor localização do mundo (a de Alcântara) para atrair parceiros. Por estar próximo da Linha do Equador, o CLA é estratégica para se lançar foguetes do mundo. A geografia ajuda na economia de combustível e permite que o veículo carregue mais carga útil. A região também sofre pouco com terremotos, tornados e outros eventos climáticos extremos que podem colocar uma operação em risco.

Cerca de 1,1 mil pessoas trabalham em todo o território do CLA, cuja área tem 62 mil hectares, o equivalente a 40% da cidade de São Paulo e duas vezes o tamanho de Belo Horizonte. Deste efetivo, apenas 50 funcionários são civis, e os demais (1.050) são militares. A maioria dos soldados tem a função de cuidar da segurança do local.

Além da relação com a Innospace, feita diretamente com a empresa privada, Alcântara também tem parceria com o governo dos EUA. A aliança foi assinada pelo Senado brasileiro em novembro de 2019, e ratifica um Acordo de Salvaguardas Tecnológicas, que permite que dados de tecnologias americanas sejam protegidas.

Assim, foguetes com tecnologia americana ficam protegidos de qualquer transferência de tecnologia, que não pode ser repassada ou acessada pelo Brasil ou por outro país que esteja utilizando a base.

O acordo não coloca Alcântara necessariamente como uma base de lançamento de foguetes americanos, mas viabiliza que países do mundo inteiro que utilizam componentes dos EUA possam negociar com o centro brasileiro. Sem o documento, Alcântara estaria impossibilitada de lançar foguetes com tecnologias americanas por conta da segurança de dados.

Na época, o acordo foi considerado uma oportunidade para alavancar o setor aeroespacial brasileiro, além da renda gerada pelo aluguel do Centro de Lançamento. Desde 2012, quando a torre de lançamento foi reconstruída, nenhum foguete fez uso da estrutura.

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