A discussão sobre a segurança em atrações de parques de diversões ganhou destaque após relatos de graves lesões sofridas por frequentadores em montanhas-russas. Casos recentes, como o de uma jovem que sofreu hemorragia intracraniana após andar na Montezum — maior montanha-russa de madeira da América Latina, localizada no parque Hopi Hari, em Vinhedo (SP) —, colocaram em evidência os riscos associados aos movimentos intensos dessas atrações.
Especialistas explicam que lesões cerebrais podem ocorrer em uma montanha-russa mesmo na ausência de uma pancada direta na cabeça. O cérebro humano está alojado dentro do crânio, protegido por membranas e fluidos, mas não se encontra rigidamente preso aos ossos. Quando a cabeça sofre mudanças bruscas de velocidade, o crânio acompanha o deslocamento, enquanto o tecido cerebral tende a continuar em movimento por inércia, gerando o chamado mecanismo de contragolpe.
Esse fenômeno físico assemelha-se à reação dos ocupantes de um veículo durante uma frenagem repentina. Dependendo da intensidade e da direção da aceleração, o cérebro pode se deformar ao colidir contra as paredes internas do crânio, rompendo vasos sanguíneos e provocando edemas ou hemorragias. Pesquisas científicas com sensores instalados em passageiros já comprovaram que o cérebro efetivamente se desloca durante os percursos, embora nem todo movimento resulte em traumatismos agudos.
Além do cérebro, a coluna cervical também sofre impactos significativos devido ao peso da cabeça e à alta mobilidade do pescoço. Movimentos rápidos de vai e vém, conhecidos como efeito chicote, exercem forte tensão sobre músculos, ligamentos, discos e vértebras. Dados históricos de estudos em parques de diversões apontam centenas de registros de dores e lesões cervicais ou dorsais após milhares de viagens, evidenciando que a resposta do corpo varia conforme características físicas individuais e condições pré-existentes.
Casos anteriores de passageiros que necessitaram de cirurgias complexas na coluna após percursos na mesma atração reforçam a necessidade de cautela. Embora os parques de diversões mantenham certificações internacionais e inspeções periódicas — como pontua a administração do Hopi Hari a respeito da Montezum —, investigações periciais e órgãos públicos continuam avaliando se as forças G extremas e as variações rápidas de velocidade são compatíveis com os quadros clínicos graves apresentados pelos frequentadores.
Por fim, em situações extremamente raras, movimentos bruscos no pescoço podem lesionar as artérias responsáveis pelo suprimento sanguíneo ao cérebro, originando coágulos e potenciais acidentes vasculares encefálicos (AVEs). Revisões médicas recentes em públicos infantojuvenis indicam que, apesar de incomuns, ocorrências de lesões neurológicas e atendimentos de emergência relacionados a brinquedos radicais continuam a ser monitorados por profissionais de saúde e pesquisadores ao redor do mundo.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
