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Milho ganha novo mercado em MS com avanço das usinas de etanol

Estado passou de nenhuma planta em operação a três usinas ativas e uma em implantação, ampliando a industrialização, gerando empregos e oferecendo novas opções de vendas para os produtores.

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Milho ganha novo mercado em MS com avanço das usinas de etanol

Mato Grosso do Sul vive uma transformação profunda em sua cadeia produtiva agrícola com a rápida expansão da indústria de etanol de milho. Em pouco mais de quatro safras, o território sul-mato-grossense saltou de nenhuma unidade fabril em funcionamento para três plantas operando em capacidade plena, além de uma quarta estrutura em processo de implantação. O avanço alterou significativamente a dinâmica econômica regional, criando um novo destino de grande escala para o cereal colhido no Estado.

Os detalhes dessa mudança constam em um estudo elaborado pela Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul). O levantamento aponta que a verticalização do milho redefiniu a conexão entre a produção no campo, o parque industrial, a logística de transporte e os mercados consumidores. A chegada dessas indústrias a partir de 2022 inseriu um comprador robusto e permanente dentro do próprio território estadual, aproximando a matéria-prima do polo de beneficiamento.

Atualmente, encontram-se em funcionamento a Inpasa em Dourados, a Inpasa em Sidrolândia e a Neomille CerradinhoBio em Maracaju. Paralelamente, em Nova Alvorada do Sul, a unidade da Atvos Santa Luzia está sendo construída para operar em formato híbrido, mesclando a fabricação de etanol de cana com a de milho. A expectativa é incorporar cerca de 273 milhões de litros de etanol de milho à capacidade da planta, aproveitando os intervalos de ociosidade impostos pelo ciclo sazonal da cana-de-açúcar.

Com esse ritmo de crescimento, Mato Grosso do Sul consolidou-se como o segundo maior produtor nacional de etanol de milho, respondendo por aproximadamente 20,9% de todo o volume fabricado no país. As projeções para a safra 2025/2026 indicam uma marca estimada em 2,128 bilhões de litros, ficando atrás apenas do estado de Mato Grosso. O desempenho reflete uma alta considerável em relação às safras anteriores e reforça o peso da atividade na economia agropecuária regional.

Para os agricultores, a principal vantagem trazida por esse cenário é a consolidação de uma terceira via de comercialização. Tradicionalmente, o milho da segunda safra era direcionado quase exclusivamente para a exportação do grão in natura ou para as fábricas de ração animal voltadas à avicultura e à suinocultura. Agora, a proximidade com as biorrefinarias reduz a dependência de rotas de longa distância, minimizando os impactos dos elevados custos de frete rodoviário que historicamente pesam sobre o setor produtivo local.

Além do biocombustível, o processo industrial aproveita praticamente a totalidade do grão por meio da moagem seca, gerando coprodutos de alto valor comercial, como o DDG e o DDGS — altamente valorizados na nutrição de bovinos, aves e suínos —, além de óleo de milho e CO₂ industrial. O DDG, inclusive, ganhou forte destaque nas rotas de exportação do Estado, com milhões de toneladas enviadas para mercados internacionais exigentes, abrindo perspectivas promissoras para a economia sul-mato-grossense nos próximos anos.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano