O presidente-executivo da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, Mike Doustdar, afirmou que os tratamentos em formato de pílula para emagrecer têm potencial para capturar até metade do mercado global de medicamentos voltados para o combate à obesidade até o ano de 2030. A declaração foi dada durante um evento em Londres, sinalizando uma importante movimentação estratégica da empresa para além das tradicionais injeções semanais.
Segundo o dirigente, a companhia está se estruturando ativamente para um cenário em que as opções orais assumam um protagonismo muito maior no setor de saúde. Atualmente, a empresa conta com cinco tratamentos em comprimido em diferentes fases de desenvolvimento, tendo saído na frente de sua principal concorrente, a Eli Lilly, ao introduzir a primeira pílula voltada para a obesidade no mercado.
Apesar da forte predominância das soluções injetáveis na indústria farmacêutica, Doustdar avalia que o foco quase exclusivo dos rivais em canetas aplicadoras pode abrir espaço para que a Novo Nordisk ganhe ainda mais terreno a longo prazo. A companhia projeta diferentes cenários futuros, ponderando como o mercado se comportará caso a divisão entre pílulas e injetáveis chegue a uma proporção equilibrada.
Caso essa previsão se concretize, os números superarão com folga as estimativas iniciais de analistas de Wall Street. Especialistas financeiros calculavam que os remédios orais representariam entre 14% e 40% de um mercado global estimado em até US$ 150 bilhões até o término desta década, impulsionado pelo sucesso comercial do Wegovy.
O portfólio em desenvolvimento da empresa na área de comprimidos inclui inovações como o comprimido de dupla ação zenagamtide, um análogo de amilina oral e novas moléculas. Além disso, a gestão reforçou que a tecnologia de entrega utilizada protege os comprimidos contra a concorrência de genéricos até o final da década de 2030.
A investida no setor oral já demonstra resultados expressivos nas receitas recentes da companhia. As terapias em comprimido já respondem por uma fatia expressiva das prescrições nos Estados Unidos, consolidando o avanço comercial da farmacêutica dinamarquesa no competitivo segmento de saúde e bem-estar.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
