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Entre o CAPS, crochê e afeto da filha, André tece uma vida além das drogas

Aos 61 anos, André encontrou no CAPS AD de Campo Grande uma segunda família e um caminho de reconstrução após anos de envolvimento com tráfico e drogas.

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Entre o CAPS, crochê e afeto da filha, André tece uma vida além das drogas

Há reencontros que acontecem ao redor de uma mesa, entre uma receita conhecida e a conversa durante o almoço. Para André, de 61 anos, preparar bisteca com mandioca a pedido da filha é uma forma de voltar a fazer parte da vida dela. Quando ela chega, o crochê e o rádio, companheiros das tardes em casa, dão lugar à alegria de recebê-la.

O relato faz parte de uma série sobre a atuação dos CAPS AD (Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas) em Campo Grande. A partir das experiências de pacientes e profissionais, as reportagens explicam como o cuidado é oferecido e de que maneira o serviço contribui para a retomada de vínculos, projetos e rotinas de pessoas que buscam reorganizar a vida.

Antes de procurar ajuda no CAPS, onde é atendido desde 2014, André traficava e consumia diferentes substâncias. O isolamento e a distância da família trouxeram um quadro de depressão, momento em que buscou o apoio de uma irmã, que o encaminhou para a rede pública de saúde mental.

Aposentado e morando sozinho, André frequenta a unidade de saúde como um espaço seguro de proteção e convivência. O local oferece suporte psiquiátrico, acompanhamento com psicólogos e atividades terapêuticas, funcionando como uma segunda família para o paciente em sua trajetória de superação e redução de danos.

O crochê, que hoje complementa sua renda e preenche suas manhãs no CAPS e tardes em casa, começou a ser praticado durante o período em que esteve preso. A técnica serviu como alívio para a tensão e ferramenta de remição de pena, e continuou a ser desenvolvida após a conquista de sua liberdade.

Em Campo Grande, os serviços de atendimento especializado funcionam no modelo de portas abertas, sem a exigência de encaminhamento prévio ou de abstinência total imediata. O acolhimento é adaptado à realidade de cada paciente, integrando estratégias de redução de danos para promover autonomia, dignidade e a reconstrução de laços sociais.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano