Em 2024, o Brasil acompanhou a dimensão da grave catástrofe ambiental que atingiu o Rio Grande do Sul. Conforme dados do IBGE, cerca de 5,5 milhões de pessoas viviam nos municípios afetados pelas enchentes que devastaram o estado, deixando profundas marcas na infraestrutura local e na vida da população.
Entre as principais lições deixadas pelo desastre está a urgência de reorientar as políticas públicas diante de novos eventos climáticos extremos. Esse aprendizado torna-se ainda mais crítico à medida que alertas sobre a chegada de um “Super El Niño” ganham força e colocam autoridades e gestores em estado de alerta.
Especialistas apontam que, além das consequências imediatas das chuvas e temporais, ainda há pouco debate estruturado sobre como o sistema de saúde pública deve se organizar para o período posterior à crise. Um desastre ambiental não se encerra quando a chuva para e o nível da água baixa, pois seus reflexos na saúde podem perdurar por semanas ou meses.
Áreas que permanecem alagadas ou úmidas aumentam significativamente a exposição da população à água contaminada, elevando os riscos de contração de leptospirose, diarreias graves e outras infecções. Além disso, famílias abrigadas provisoriamente, pacientes crônicos com risco de interrupção de tratamentos e o aumento nas demandas de saúde mental geram uma pressão contínua sobre a rede pública.
Para enfrentar essa segunda etapa da crise, o Brasil conta com uma ferramenta estratégica: a Atenção Primária à Saúde. Por meio das Unidades Básicas de Saúde, o Sistema Único de Saúde dispõe de capilaridade territorial para mapear famílias vulneráveis, garantir a continuidade de tratamentos essenciais e articular respostas conjuntas com a Defesa Civil, bombeiros e serviços de assistência social.
No entanto, para que essa estrutura atinja seu potencial máximo, a gestão da informação precisa ser aprimorada. Gestores públicos necessitam saber exatamente quais regiões foram afetadas, o perfil demográfico e epidemiológico dos moradores atingidos e onde se encontram os principais gargalos de atendimento à comunidade.
Nesse contexto, a integração de ferramentas tecnológicas assume papel central ao conectar dados dispersos e fornecer uma radiografia precisa do território. O uso inteligente de dados meteorológicos, geográficos e de saúde ajuda a antecipar riscos, direcionar equipes e insumos de forma ágil, assegurando que o atendimento à população seja prestado de maneira coordenada e eficiente.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
