Nem sempre o primeiro passo é decidir parar. Às vezes, é entrar para tomar um café, pedir uma orientação ou voltar a um lugar onde alguém sabe seu nome. Para quem enfrenta problemas com álcool e outras drogas, aceitar ajuda pode levar tempo, e a melhora ganha formas diferentes: dormir melhor, sair das ruas, reencontrar a família ou recuperar uma rotina.
Campo Grande conta com dois CAPS AD que somaram mais de 46 mil atendimentos entre janeiro e agosto de 2026. As unidades funcionam 24 horas, sem necessidade de encaminhamento, e oferecem cuidado individualizado que vai além da abstinência, incluindo redução de danos, reinserção familiar e social. Equipes também realizam abordagens em cenas de uso para alcançar pessoas que não chegam sozinhas ao serviço.
Durante a entrevista, o psicólogo Mauro Corsini é interrompido algumas vezes para orientar pacientes que procuram o local. Um deles passa para conversar, enquanto a movimentação ajuda a mostrar como funciona o serviço, construído em contatos sucessivos, dentro do tempo e das necessidades de cada pessoa. Mauro integra a Rede de Atenção Psicossocial do município, realizando acolhimentos, atendimentos, projetos terapêuticos e atividades em grupo, além de participar de abordagens em pontos de uso na Capital.
A rede municipal de saúde mental de Campo Grande possui sete CAPS, todos com funcionamento 24 horas, sendo dois especializados no atendimento de pessoas com necessidades relacionadas ao uso de álcool e drogas: o CAPS AD III Guanandi e o CAPS AD IV Fátima M. Medeiros. De janeiro a agosto de 2026, as duas unidades somaram 46.064 atendimentos, enquanto toda a rede municipal de saúde mental registrou 158.889 atendimentos no mesmo período.
O atendimento funciona na modalidade de portas abertas, sem burocracia ou exigência de encaminhamento prévio. Na chegada, um profissional realiza o acolhimento para avaliar as urgências e definir o suporte necessário. A equipe elabora o Projeto Terapêutico Singular (PTS), que organiza o tratamento conforme a trajetória e os objetivos do paciente, podendo incluir consultas, grupos, regularização de documentos e resgate de vínculos familiares.
A abstinência não é exigência obrigatória para receber atendimento nem o único resultado considerado positivo. Para muitos pacientes, o avanço se manifesta na redução de danos, na interrupção do consumo de substâncias mais nocivas, na saída das ruas ou na retomada de uma rotina estável, mostrando que o serviço atua como suporte essencial para diferentes caminhos de superação.
Fonte: www.campograndenews.com.br
