O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou, nesta sexta-feira (25), as críticas contundentes que tem feito nos últimos dias sobre o mercado de apostas online, conhecidas como bets. Em um ato de campanha realizado na cidade do Recife, em Pernambuco, o petista argumentou que o dinheiro direcionado aos jogos deveria ser utilizado para suprir necessidades básicas, como a compra de alimentos para as crianças.
Durante o evento, Lula foi enfático ao alertar a população sobre os riscos financeiros e sociais do vício em apostas. ‘O dinheiro do jogo é pra comida das crianças, se quiser jogar, compra um litro de leite pra sua casa, pão, mais comida pra sua casa. Não é correto gastar o que não tem pra tentar ganhar o que não existe, não dá pra acreditar em mentira’, declarou o presidente diante de apoiadores.
A fala ocorre em meio a articulações do Palácio do Planalto para o lançamento de um pacote de medidas econômicas em São Paulo, que deve incluir ações incisivas contra as bets e o endividamento acelerado das famílias brasileiras. A expectativa no cenário político é de que o governo adote medidas duras, podendo inclusive proibir o funcionamento dessas empresas de apostas no território nacional.
Ao longo da semana, o presidente tem endurecido o tom contra o setor durante compromissos e atos de campanha por diferentes estados do país. Órgãos do Poder Executivo já trabalham internamente sob a premissa de que uma Medida Provisória com novas regras restritivas será publicada iminentemente, refletindo a crescente preocupação do governo com o impacto do jogo na renda dos mais vulneráveis.
Para debater o assunto, Lula reuniu-se recentemente com ministros e chefes de pastas estratégicas, incluindo Dario Durigan (Fazenda), Miriam Belchior (Casa Civil), Bruno Moretti (Orçamento e Planejamento), Wellington César (Justiça e Segurança Pública), Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação) e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Apesar da forte inclinação do presidente pelo fim das apostas, fontes indicam que ainda há divergências internas na equipe econômica e ministerial. Enquanto um grupo defende a proibição total e imediata das operações, outro avalia alternativas de menor impacto estrutural, como a restrição severa de campanhas publicitárias e a proibição específica de cassinos virtuais.
Fonte: g1.globo.com
