Abandonar o tabagismo após receber o diagnóstico de câncer de pulmão pode reduzir em até 55% o risco de morte e de avanço da doença. É o que aponta um estudo inédito divulgado nesta sexta-feira (25) durante o Congresso Mundial do Câncer, realizado em Hong Kong.
O relatório foi elaborado pelo Centro Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (CIRC), órgão vinculado à Organização Mundial da Saúde (OMS), reunindo as evidências científicas mais recentes sobre o impacto da cessação do tabagismo em pacientes oncológicos.
De acordo com Mahdi Sheikh, principal autor da pesquisa, os dados reforçam que nunca é tarde demais para largar o vício. Mesmo em casos de tumores em estágios avançados, interromper o consumo do cigarro traz ganhos clínicos expressivos e melhora consideravelmente a expectativa de sobrevida.
A pesquisa acompanhou por mais de dez anos pacientes diagnosticados com câncer de pulmão ou de rim que mantinham o hábito de fumar no momento da descoberta da enfermidade. Os trabalhos foram conduzidos pelo CIRC em parceria com o Centro Nacional de Pesquisa Médica em Oncologia N.N. Blokhin, em Moscou.
O levantamento constatou que aqueles que deixaram o cigarro apresentaram uma sobrevida livre de progressão da doença cerca de dois anos superior em comparação aos pacientes que prosseguiram fumando. O ganho foi notado mesmo entre indivíduos com histórico prolongado de tabagismo.
Os benefícios da medida foram verificados em uma ampla variedade de tumores, abrangendo desde aqueles amplamente associados ao cigarro — como o de pulmão — até os menos vinculados ao fumo, a exemplo do câncer de rim.
Apesar das evidências, especialistas apontam que muitos pacientes persistem no hábito durante o tratamento oncológico devido à falsa crença de que os danos ao organismo já seriam irreversíveis após a confirmação do diagnóstico.
Diante desse cenário, o CIRC defende que governos e autoridades de saúde destinem recursos permanentes para programas de combate ao tabagismo dentro dos serviços de oncologia, assegurando o acesso a tratamentos farmacológicos gratuitos ou subsidiados.
Por fim, o relatório sugere que a abordagem da dependência do cigarro seja integrada de forma definitiva às diretrizes nacionais de saúde pública, capacitando oncologistas a prestarem o devido suporte aos pacientes em sua jornada contra o vício.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
