O liberalismo historicamente demonstra grande versatilidade, mostrando-se compatível tanto com visões de mundo conservadoras, como as das democracias cristãs europeias e dos ‘tories’ britânicos, quanto com políticas mais à esquerda, como as social-democracias nórdicas.
Apesar de ambos os polos concordarem em princípios fundamentais como as liberdades básicas, a propriedade privada e o império da lei, eles frequentemente divergem em relação aos detalhes e à aplicação prática dessas diretrizes.
Essa tensão latente é explorada na obra ‘What Happened to Liberal Democracy?’, de Daron Acemoglu, que argumenta que o modelo serviu bem à sociedade enquanto promoveu uma prosperidade amplamente compartilhada entre diferentes classes sociais.
No entanto, disrupções como mudanças tecnológicas e a globalização fizeram com que pequenas elites acumulassem fatias cada vez maiores da riqueza, provocando uma erosão na confiança nas instituições públicas e impactando a política.
Para reverter esse quadro, Acemoglu sugere a adoção de um modelo chamado de ‘working class liberalism’, voltado para reequilibrar o jogo econômico em favor do trabalhador e salvar os preceitos liberais.
A proposta gerou reações divergentes, recebendo elogios de economistas alinhados à esquerda universitária, como Thomas Piketty, e fortes críticas de alas liberais avessas a intervenções estatais, a exemplo da revista The Economist.
No centro desse debate estão as expectativas em relação à tecnologia: otimistas apostam em uma era de abundância impulsionada por ganhos de produtividade, enquanto pessimistas preveem agravamento das desigualdades sem regulações urgentes.
Diante desse cenário complexo e incerto sobre os rumos da inteligência artificial e da automação para as próximas décadas, torna-se primordial superar as crises atuais que já se avistam no horizonte político e econômico global.
Fonte: redir.folha.com.br
