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Quem propaga certezas não é cientista

Reflexão sobre a evolução do pensamento científico aponta que a busca por leis rígidas deu lugar à aceitação da incerteza e da complexidade.

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Quem propaga certezas não é cientista

A história da ciência moderna foi profundamente moldada pela busca de previsibilidade e pela descrição rigorosa do movimento na natureza. Na segunda metade do século 17, Isaac Newton buscou compreender essas variações através do Princípio Fundamental da Dinâmica, desenvolvendo ferramentas analíticas como o cálculo diferencial para estudar fenômenos em situações instantâneas.

No século seguinte, as bases estabelecidas por Newton para corpos sólidos foram expandidas por Leonhard Euler para abranger gases e líquidos, analisados como elementos contínuos sob pressão. Posteriormente, na primeira metade do século 19, Claude-Louis Navier e George Gabriel Stokes integraram os efeitos das forças internas e da viscosidade aos complexos sistemas de equações diferenciais.

Esse acúmulo histórico de teorias transformou a compreensão humana sobre a natureza, permitindo prever desde a dinâmica de corpos celestes e o atrito sobre veículos até o fluxo do sangue e as correntes atmosféricas. No entanto, discussões recentes na comunidade científica indicam que as formulações de Navier-Stokes podem falhar em pontos críticos, especialmente quando redemoinhos intensos se formam no escoamento de fluidos.

Especialistas apontam que o fracasso pontual de um modelo propicia novas descobertas, reforçando que a ciência contemporânea abandonou a pretensão de encontrar leis definitivas e absolutas. A certeza de que todos os fenômenos físicos poderiam ser plenamente decodificados deu lugar à aceitação da incerteza como motor da pesquisa.

Esse panorama de abertura a múltiplos desfechos é explorado por autores como o biólogo Stuart Firestein, que destaca como a ausência de um conjunto rígido de leis subterrâneas amplia o leque de possibilidades na investigação. A própria ruptura com o determinismo absoluto ganhou força com Charles Darwin e a aleatoriedade evolutiva da biosfera.

Apesar das constantes revelações de novas camadas de incerteza em níveis microscópicos e quânticos — onde as premissas de continuidade de Navier-Stokes encontram barreiras —, as verdades provisórias da ciência continuam a viabilizar grandes avanços tecnológicos, consolidando um progresso material significativo em um mundo em constante transformação.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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