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Estudo internacional investiga relação entre canhoto e destro e escolha política

Pesquisa realizada com 1.404 pessoas em 18 países ocidentais aponta que indivíduos que se declaram canhotos tendem a se posicionar mais à esquerda no espectro político.

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Estudo internacional investiga relação entre canhoto e destro e escolha política

Um estudo acadêmico internacional recente analisou a possível relação entre a lateralidade — o fato de uma pessoa ser canhota ou destra — e as suas preferências e posicionamentos políticos. A investigação foi conduzida por pesquisadores como Laurent Weill, Caroline Perrin e Jérémie Bertrand, e buscou compreender se traços inesperados poderiam influenciar a visão ideológica dos cidadãos.

Para chegar a esses resultados, os autores realizaram um levantamento online com 1.404 participantes distribuídos em 18 países ocidentais, incluindo nações como França, Alemanha, Estados Unidos, Itália e Espanha. Os participantes responderam sobre suas posições políticas em uma escala de dez pontos, variando da direita à esquerda, além de indicarem com qual mão escreviam ou realizavam atividades cotidianas.

O primeiro dado revelado pela análise foi que os indivíduos que se declaram canhotos se posicionam, em média, cerca de meio ponto mais à esquerda do que os destros na escala política utilizada. Curiosamente, essa variação demonstrou ser ligeiramente superior à diferença de gênero observada na mesma amostra, onde as mulheres se situaram 0,4 ponto mais à esquerda que os homens.

No entanto, a pesquisa trouxe um desdobramento fundamental ao medir a lateralidade por meio de ações práticas do dia a dia, como usar tesouras, escovar os dentes ou arremessar uma bola, e não apenas pela autoidentificação. Ao observar o uso real das mãos nessas tarefas, a relação estatística com as opiniões políticas desapareceu completamente.

Esse achado sugere que a inclinação política não decorre primariamente de fatores biológicos diretos, mas sim de mecanismos identitários e simbólicos ligados ao fato de a pessoa se perceber e se declarar como canhota. O efeito mostrou-se ainda mais marcante em países latinos, onde a divisão histórica entre esquerda e direita possui forte presença no debate público.

Por fim, os pesquisadores apontam hipóteses para explicar o fenômeno, como o egotismo implícito associado à sonoridade da palavra esquerda, a experiência social de pertencer a uma minoria historicamente estigmatizada ou traços neurobiológicos de flexibilidade cognitiva. Contudo, os autores ressaltam que o estudo não reduz os eleitores a categorias homogêneas e lembra que convicções políticas também são moldadas por fatores inconscientes.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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