A Polícia Civil do Paraná concluiu, nesta segunda-feira (28), um inquérito policial que investigava a morte de um trabalhador de 43 anos, ocorrida em abril deste ano na cidade de Pitanga, situada na região central do estado. O dono de uma empresa cerealista, de 65 anos, foi formalmente indiciado pelo crime de homicídio culposo, situação em que não há intenção de matar. A vítima perdeu a vida após ser soterrada por grãos de milho em um fosso de sementes localizado nas dependências da propriedade rural.
Segundo as informações divulgadas pelas autoridades policiais, a tragédia decorreu do desrespeito a normas fundamentais de segurança laboral. Os exames periciais realizados no local apontaram que o funcionário despencou de uma altura estimada em 3,60 metros através de uma abertura que carecia de guarda-corpo, tampa ou qualquer mecanismo de proteção física contra quedas.
Além da ausência de infraestrutura adequada, a investigação constatou que o trabalhador realizava suas atividades desacompanhado e sem a utilização de equipamentos de proteção individual obrigatórios para trabalhos em altura. O laudo necroscópico emitido pelas autoridades competentes atestou que a causa do óbito foi asfixia mecânica decorrente do soterramento no compartimento de máquinas voltado ao processamento de milho.
O avanço das apurações incluiu depoimentos de bombeiros militares e de funcionários da empresa, bem como a análise minuciosa de papéis trabalhistas. As diligências trouxeram à luz um fator agravante na conduta do empregador: a administração da cerealista já havia recebido alertas formais a respeito dos perigos iminentes naquela área específica de trabalho.
Documentos oficiais do próprio programa de gerenciamento de riscos da firma, implementado em novembro de 2025, já classificavam como crítico o perigo de acidentes em espaços confinados para a ocupação exercida pelo trabalhador. O plano recomendava com urgência a instalação de barreiras de proteção e a capacitação da equipe, providências que acabaram não sendo tomadas pela gestão.
De acordo com a condução da investigação policial, o risco não era meramente previsível, mas já havia sido antecipado e relatado por escrito à empresa meses antes do evento fatal. O sistema de monitoramento interno da companhia registrou a última imagem do funcionário vivo por volta das 15h55 do dia do acidente.
O corpo foi localizado pelos próprios donos do estabelecimento após perceberem a ausência do colaborador, mobilizando posteriormente os serviços de socorro para a remoção segura do cadáver. Com o encerramento do inquérito, o caso foi remetido ao Ministério Público do Paraná, órgão que avaliará os documentos para decidir sobre o oferecimento de denúncia criminal contra o empresário perante o Poder Judiciário.
Fonte: tnonline.uol.com.br
