Uma combinação equilibrada de hortaliças, frutas, grãos integrais, oleaginosas, pescados, laticínios magros e azeite de oliva compõe o tradicional padrão alimentar mediterrâneo. O tema é destaque em um artigo científico publicado no periódico Nutrition Reviews, que evidencia os efeitos positivos desse estilo de vida sobre a inflamação crônica de baixo grau.
O levantamento foi conduzido por pesquisadores australianos, que examinaram 30 revisões sistemáticas englobando 225 estudos e pelo menos 15 tipos diferentes de dietas. Os dados revelam que o cardápio mediterrâneo contribui para a manutenção de níveis reduzidos de marcadores inflamatórios importantes, a exemplo da proteína C-reativa (PCR) e da interleucina-6, sendo que as dietas vegetarianas também registraram impactos favoráveis.
A chamada inflamação crônica de baixo grau caracteriza-se por um estado inflamatório leve, porém contínuo, que pode durar anos ou décadas. Esse processo prolongado resulta na liberação constante de substâncias pró-inflamatórias que prejudicam a função endotelial, elevando as probabilidades de desenvolvimento de hipertensão arterial e aterosclerose.
Especialistas alertam que as alterações no metabolismo, nos vasos sanguíneos e no sistema imunológico decorrentes desse quadro estão associadas a um risco maior de enfermidades cardiovasculares, diabetes tipo 2, obesidade, males neurodegenerativos, distúrbios hepáticos metabólicos e alguns tipos de câncer, além de processos de fragilidade e perda de massa muscular em idosos.
Contudo, a adoção da dieta mediterrânea deve vir acompanhada de outros hábitos saudáveis para a mitigação de riscos. A prática regular de exercícios físicos, tanto aeróbicos quanto de força, e o controle do peso corporal — sobretudo da gordura abdominal, que atua ativamente na produção de compostos inflamatórios — são medidas fundamentais apontadas por especialistas.
Além do conteúdo do prato, a dieta mediterrânea abrange um contexto sociocultural amplo, que valoriza a sazonalidade, a biodiversidade, o descanso, o uso de ingredientes locais e a convivência social durante as refeições. Nutricionistas reforçam que o segredo está na sinergia dos alimentos e na sustentabilidade do cardápio a longo prazo, sem a necessidade de restrições radicais ou exclusões sem comprovação médica.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
