A dermatite atópica é uma enfermidade inflamatória, de caráter crônico e recorrente, que costuma ser erroneamente interpretada como uma simples alergia passageira. Segundo alertas recentes da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o problema acomete até 20% das crianças e exige atenção especializada, contando no Paraná com o suporte do Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná (HDSPR), localizado em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, para o acolhimento de quadros moderados e graves por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
Embora seja considerada uma condição predominantemente pediátrica — visto que cerca de 90% das manifestações ocorrem antes dos cinco anos de idade —, a patologia pode surgir em qualquer etapa da vida, inclusive na terceira idade. O prurido intenso, ou seja, a coceira persistente, configura o principal sintoma da doença, o que frequentemente gera confusão com outras afecções cutâneas, como psoríase, escabiose, dermatite de contato e micoses, exigindo rigor clínico na investigação.
O processo diagnóstico fundamenta-se estritamente na avaliação clínica, englobando o histórico do paciente, o exame físico, a morfologia das lesões e a presença marcante da coceira. Não há exames de sangue específicos capazes de confirmar ou descartar o quadro de forma isolada. As regiões afetadas do corpo modificam-se conforme a idade: enquanto bebês costumam apresentar lesões na face e no couro cabeludo, crianças maiores, adolescentes e adultos tendem a sofrer com o acometimento nas dobras dos cotovelos, joelhos, pescoço e mãos.
Os reflexos da doença estendem-se muito além do desconforto físico na pele. A coceira contínua compromete severamente a qualidade do sono, gerando despertares noturnos e noites não reparadoras, o que desgasta tanto os pacientes quanto seus familiares. Além disso, o rendimento escolar e profissional é prejudicado pela irritabilidade e pela falta de concentração, enquanto a saúde mental sofre abalos expressivos devido a quadros de ansiedade, depressão e isolamento social decorrentes da baixa autoestima.
Fatores ambientais e climáticos também exercem forte influência sobre a gravidade da dermatite atópica, especialmente em regiões com variações térmicas acentuadas. O ar seco, as baixas temperaturas e o calor excessivo com suor funcionam como gatilhos para deflagrar novas crises. Por essa razão, a adoção de rotinas diárias de cuidados domésticos — que incluem banhos mornos e curtos, abstenção de buchas, aplicação frequente de hidratantes sem fragrâncias e preferência por tecidos leves como o algodão — é indispensável mesmo nos períodos em que as lesões aparentam estar controladas.
Para o manejo clínico adequado, a porta de entrada no SUS continua sendo a Unidade Básica de Saúde (UBS), de onde os pacientes podem ser encaminhados para estruturas de maior complexidade quando necessário. Os especialistas reforçam, por fim, que a doença não é contagiosa e que o aspecto avermelhado da pele reflete unicamente um processo inflamatório cutâneo, sendo fundamental combater o preconceito e garantir o acolhimento social para preservar a dignidade dos afetados.
Fonte: tnonline.uol.com.br
