O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, divulgou nesta terça-feira (29) um relatório oficial detalhando estratégias para combater o antissemitismo e crimes de ódio na cidade. O documento, que possui 35 páginas, apresenta iniciativas para proteger a comunidade judaica e promover tradições locais, mas opta por não abordar o complexo e politicamente delicado debate em torno de Israel.
A ausência de menções diretas ao conflito israelense-palestino gerou debates e reações divergentes entre líderes comunitários e políticos. Enquanto defensores e algumas organizações apontam a necessidade de se reconhecer que críticas a Israel frequentemente resvalam em retórica hostil aos judeus, outros grupos defendem a liberdade de contestar as ações do governo israelense sem sofrer acusações de preconceito.
Entre as recomendações práticas do relatório estão a ampliação de diretrizes já existentes — como o ensino obrigatório sobre o Holocausto nas escolas públicas da rede municipal — e a introdução de treinamentos específicos para servidores públicos entenderem melhor as experiências e tradições judaicas. O documento também sugere dar maior visibilidade às contribuições históricas de judeus nova-iorquinos por meio de quiosques de internet pública espalhados pelas ruas.
A gestão municipal destacou o aumento expressivo dos recursos financeiros destinados à prevenção de crimes de ódio, que saltaram para US$ 29 milhões anuais. Além disso, a prefeitura retomou as atividades de um grupo de trabalho focado estritamente na segurança de sinagogas e centros culturais e educacionais judaicos na metrópole.
O lançamento do relatório ocorre em um momento de alta sensibilidade e temor de episódios de violência, coincidindo com o período das Grandes Festas religiosas. A divulgação também se dá poucos dias após o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, classificar o prefeito nova-iorquino como antissemitismo durante discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, acusações prontamente rejeitadas pela administração municipal.
Durante reuniões com legisladores locais e representantes de gabinetes municipais, parlamentares questionaram a omissão de temas geopolíticos e a postura histórica do prefeito em relação ao Oriente Médio. Apesar das críticas de parlamentares republicanos e democratas, a prefeitura manteve a decisão de focar o documento nas garantias de segurança interna e na proteção jurídica e física de todos os habitantes judeus da cidade.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
