A comercialização de caixas, rótulos e canetas injetoras vazias que podem ser personalizadas para imitar medicamentos amplamente conhecidos, como o Ozempic e o Mounjaro, tem ocorrido de maneira aberta na plataforma de comércio eletrônico chinesa Alibaba. Disponíveis para compradores no Brasil, esses materiais sob medida permitem que redes clandestinas simulem o visual de produtos farmacêuticos legítimos fora da cadeia oficial regulada.
Em diversos anúncios voltados ao público internacional, os pedidos mínimos exigidos costumam ser elevados, alcançando lotes a partir de mil unidades, com preços iniciais acessíveis por unidade. Embora a venda desses recipientes ocorra livremente, especialistas em direito do consumidor e representantes do setor farmacêutico alertam que a oferta facilita a proliferação de fraudes e coloca em risco a integridade dos pacientes que buscam tratamentos para perda de peso.
Consultadas sobre o tema, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Receita Federal informam que a comercialização isolada de embalagens e acessórios vazios não configura, por si só, uma infração sanitária direta sob suas respectivas alçadas, ponderando que ações de fiscalização costumam ocorrer mediante a constatação de fatos concretos e irregulares no território nacional.
Entretanto, profissionais de saúde e associações de combate à pirataria divergem dessa postura e defendem a necessidade de ações preventivas por parte do poder público. Especialistas apontam que canetas falsificadas fabricadas em laboratórios clandestinos podem conter desde simples soluções salinas até substâncias contaminadas por bactérias, capazes de provocar graves infecções cutâneas, necrose e danos imprevisíveis ao organismo.
Dados da Associação Brasileira de Combate à Falsificação indicam que o comércio eletrônico e as redes sociais têm desempenhado um papel expressivo na distribuição de mercadorias ilegais no país. O avanço desse mercado paralelo de emagrecedores é impulsionado pela alta demanda da população, pela diferença de custos em relação aos produtos originais e pelas barreiras enfrentadas na fiscalização de encomendas internacionais.
Diante desse cenário de vulnerabilidade, órgãos de defesa do consumidor reforçam que a aquisição de tratamentos injetáveis deve ser feita estritamente por canais autorizados e farmácias regularizadas. Os compradores devem sempre conferir os números de registro na Anvisa, validar lotes e checar as informações dos fabricantes para evitar os riscos associados ao consumo de produtos falsificados.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
