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Lula, a figura central da esquerda em uma corrida contra o tempo

Aos anos que passam e aos desafios políticos e de saúde, o presidente brasileiro responde com intensa atividade e ambição de permanecer no cenário político.

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Lula, a figura central da esquerda em uma corrida contra o tempo

“A gente não pode controlar a rotação da Terra para evitar que os anos passem”, reflete o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com sua característica voz rouca, em vídeos publicados nas redes sociais onde exibe suas rotinas de exercícios físicos. O principal líder da esquerda brasileira acumula uma trajetória marcada pela superação de derrotas eleitorais, 580 dias de prisão entre 2018 e 2019 e os reflexos de uma condenação por corrupção que, embora anulada por questões processuais, continua sendo utilizada por seus opositores de direita para atacá-lo politicamente.

Além das turbulências políticas, o mandatário também enfrentou graves episódios de saúde ao longo da vida, incluindo uma queda doméstica no final de 2024 que resultou em uma hemorragia intracraniana. Segundo avaliações de sua equipe médica, ele correu sérios riscos naquele momento. Apesar disso, Lula demonstra otimismo inabalável, afirmando publicamente estar em melhor forma física do que em 2002, quando conquistou seu primeiro mandato presidencial, e revelando o desejo bem-humorado de viver até os 120 anos.

A biografia de Lula é marcada por origens humildes: sua família migrou para o estado de São Paulo para escapar da fome. Trabalhador desde os 14 anos, período em que sofreu a amputação de um dedo em um acidente de fábrica, ele ascendeu como líder sindical e encabeçou as mobilizações grevistas históricas da década de 1970, durante o regime militar. Após dois mandatos consecutivos e uma reeleição em 2006, encerrou seu ciclo inicial no poder com índices recordes de popularidade, impulsionados por programas de transferência de renda viabilizados pelo ciclo de alta das commodities.

Contudo, os escândalos de corrupção que envolveram sua base política deixaram marcas duradouras na sociedade e acentuaram a polarização no Brasil. Em 2022, Lula superou Jair Bolsonaro por uma margem estreita de votos. Posteriormente, o principal expoente da direita brasileira enfrentou condenações severas da Justiça devido a articulações golpistas para tentar impedir a posse do atual presidente. Como um reflexo de seu estilo avesso à tecnologia moderna, o chefe do Executivo continua sem utilizar aparelhos celulares, mantendo-se distante do ecossistema digital que conecta cotidianamente mais de 200 milhões de brasileiros.

Reconhecendo os limites de sua marca histórica, o pai de cinco filhos pontuou recentemente que não deseja ser lembrado apenas como o criador do Bolsa Família. Embora o principal programa de assistência social do país permaneça como o pilar mais relevante de seu legado, a iniciativa já ultrapassou duas décadas de existência. Enquanto isso, adversários políticos tentam antecipar o encerramento de seu ciclo, com críticas frequentes vindas de alas oposicionistas que argumentam a necessidade de renovação na liderança do país.

Por outro lado, observadores internacionais e diplomatas frequentemente expressam surpresa com a vitalidade e a resistência do presidente no exercício do cargo. Em declarações anteriores a veículos de imprensa estrangeira no Palácio da Alvorada, o próprio líder sintetizou seu peso político com pragmatismo: não há no país outra figura com equivalente bagagem na administração do Estado, transformando os próximos passos de sua trajetória em uma verdadeira corrida contra o tempo.

Fonte: noticias.uol.com.br

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