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Mostra de SP exibe filme de J.P. Cuenca sobre assédio judicial elogiado por Walter Salles

O documentário '144 – Apocalipse Não', dirigido por J.P. Cuenca, aborda o assédio judicial sofrido pelo escritor e tem exibição confirmada na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, após estreia no Festival do Rio.

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Mostra de SP exibe filme de J.P. Cuenca sobre assédio judicial elogiado por Walter Salles

O documentário “144 – Apocalipse Não”, dirigido e protagonizado pelo escritor J.P. Cuenca, tem exibição marcada para o dia 24 de outubro na 50ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Antes de sua passagem pelo evento paulista, o longa-metragem tem estreia oficial programada para a próxima sexta-feira no Festival do Rio.

A produção cinematográfica tem como ponto de partida um episódio real vivido por Cuenca. Em junho de 2020, o escritor publicou nas redes sociais uma mensagem que parafraseava uma citação do século 18 do autor Jean Meslier. Na ocasião, ele escreveu que “o brasileiro só será livre quando o último Bolsonaro for enforcado nas tripas do último pastor da Igreja Universal”.

A manifestação resultou em uma avalanche jurídica contra o autor. Cuenca tornou-se alvo de 144 processos ajuizados por pastores vinculados à instituição religiosa. As ações, quase idênticas entre si, foram protocoladas em Juizados Especiais Cíveis de diferentes regiões do país e acumulavam pedidos de indenizações que totalizavam R$ 3,3 milhões.

O caso também chamou a atenção de órgãos de fiscalização e controle. O Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro ajuizou uma ação civil contra a Igreja Universal por prática de assédio judicial, solicitando o pagamento de R$ 5 milhões referentes a danos morais coletivos. Na época dos fatos, a liderança religiosa negou qualquer coordenação centralizada na apresentação das demandas judiciais, sustentando que os processos decorriam de iniciativas individuais de seus líderes.

No decorrer do filme, Cuenca documenta sua jornada em busca de contato com os autores das ações judiciais nas cidades de origem deles. Durante esse roteiro de investigação e escuta, o autor visita comunidades ribeirinhas situadas às margens do rio São Francisco, frequenta festas populares, rodeios, templos evangélicos e esteia em clubes de tiro localizados nas fronteiras do agronegócio.

O projeto audiovisual recebeu elogios do aclamado cineasta Walter Salles, diretor do premiado “Ainda Estou Aqui”. Após assistir ao documentário em uma sessão privada, o diretor destacou que a obra exibe uma rara capacidade de escuta capaz de transcender as divisões do cenário político e social brasileiro atual.

Segundo Walter Salles, ao buscar compreender aqueles que divergem de suas próprias convicções, J.P. Cuenca revela facetas profundas de um país que necessita ser compreendido com maior amplitude. A realização do filme conta com coprodução internacional entre Brasil e Portugal, tendo a participação da produtora portuguesa O Som e a Fúria.

Fonte: redir.folha.com.br

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