O surgimento de feridas de difícil cicatrização, especialmente nos pés, representa um desafio frequente e preocupante para quem convive com o diabetes. Os mecanismos que provocam essas lesões são múltiplos, o que estimula a ciência a buscar novas alternativas para auxiliar os pacientes que lidam com essa condição metabólica crônica.
O problema costuma se originar antes mesmo do aparecimento das úlceras. Quando a doença não é controlada a longo prazo, a hiperglicemia associada ao estresse oxidativo e a outras alterações metabólicas gera inflamações nos vasos sanguíneos. Esse quadro acelera o acúmulo de placas de gordura, causando a obstrução das artérias e aumentando riscos cardiovasculares, como o infarto.
Segundo a endocrinologista Geísa Maria Campos de Macedo, coordenadora do departamento de Neuropatias e Complicações nos Pés da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), esse conjunto de alterações reduz o fluxo de sangue e nutrientes essenciais para os tecidos, prejudicando diretamente o processo de cicatrização quando há algum ferimento.
Além disso, o diabetes compromete a resposta imunológica ao afetar a atuação das células de defesa. De acordo com a especialista, essas células passam a agir mais devagar, enquanto os processos inflamatórios reduzem a capacidade protetora do organismo. A situação se torna ainda mais crítica com o desenvolvimento da neuropatia diabética, que afeta os nervos periféricos e retira a sensibilidade dos pés, fazendo com que o paciente muitas vezes não perceba as lesões iniciais.
Como resposta a esse cenário, pesquisas inovadoras buscam desenvolver curativos mais eficazes. Um exemplo é o projeto liderado pelo estudante Yunes Natal Menezes Coelho, sob a orientação do professor Roger Borges no Ensino Einstein, que combina impressão 3D de um material gelatinoso com o óleo de semente de uva. O biomaterial é projetado para gerar pequenas descargas elétricas quando pressionado, estimulando a entrada de cálcio nas células e sinalizando a necessidade de reprodução celular.
Para prevenir complicações graves que podem levar até mesmo à amputação, especialistas reforçam a importância de manter a glicemia, a pressão arterial e o colesterol sob controle. Medidas simples como usar calçados adequados, evitar andar descalço, hidratar a pele para prevenir rachaduras e realizar avaliações médicas anuais nos pés são fundamentais, visto que a taxa de recidiva de úlceras pode alcançar 60% no primeiro ano após a cicatrização.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
