O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender publicamente o fim da escala de trabalho 6×1 e afirmou que deseja ver a redução da jornada de trabalho implementada de fato. Em manifestação recente, o chefe do Executivo defendeu um modelo baseado em cinco dias de trabalho e dois dias de descanso por semana, garantindo que não haja diminuição nos salários dos trabalhadores.
Durante a declaração, o presidente também direcionou críticas ao seu adversário no segundo turno da disputa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro, afirmando que o parlamentar se opõe à medida. Segundo Lula, a visão do opositor de que quem trabalha menos deve receber menos penaliza os trabalhadores que dependem integralmente de seus salários para arcar com despesas básicas como alimentação, moradia e contas de luz.
A proposta que está em tramitação no Congresso Nacional estabelece um limite de 40 horas semanais, divididas em cinco dias de atividade e dois dias livres, preservando a remuneração integral. A matéria começou a ser debatida no plenário do Senado Federal após já ter sido aprovada pela Câmara dos Deputados e pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, restando ainda a votação em dois turnos no plenário.
Lula enfatizou que o objetivo da mudança é proporcionar mais qualidade de vida aos trabalhadores, permitindo que tenham tempo suficiente para descanso, cuidados com a saúde e convívio familiar, além de buscarem o desenvolvimento pessoal e profissional sem o sacrifício de perdas financeiras.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro já se posicionou contrariamente à extinção da escala 6×1 nos moldes propostos pelo Congresso. O candidato do PL defende a adoção de uma jornada flexível, que seja negociada de forma direta entre o empregado e o empregador, modelo este que poderia prever a redução proporcional do salário caso houvesse diminuição na carga horária.
Em sua defesa, Flávio argumentou que sua proposta oferece maior liberdade de escolha para o trabalhador, citando como exemplo mães que enfrentam dificuldades para cumprir jornadas tradicionais de oito horas diárias por falta de vagas em creches. O senador sugeriu que tais trabalhadores poderiam definir seus próprios horários e contar com auxílios alternativos, como um voucher para creches privadas, caso a rede pública não atenda à demanda.
O debate em torno da escala de trabalho ganhou forte tração no cenário político e passou a integrar o centro das discussões do segundo turno das eleições presidenciais. Os dois candidatos se enfrentarão no pleito marcado para o final de outubro, após uma votação acirrada no primeiro turno que colocou ambos diretamente na disputa pela Presidência da República.
Fonte: g1.globo.com
