Durante muito tempo, a pauta da acessibilidade esteve restrita a adaptações arquitetônicas e à remoção de barreiras físicas nas cidades, como a instalação de rampas e elevadores. No entanto, com a migração de grande parte da vida contemporânea para o ambiente digital, as demandas políticas e sociais das pessoas com deficiência mudaram substancialmente, exigindo atenção urgente para plataformas on-line e aplicativos.
Serviços públicos, bancos, instituições de ensino e o comércio operam predominantemente em ambientes virtuais. Nesse cenário, a exclusão social passou a se manifestar por meio de interfaces inacessíveis e sistemas que desconsideram a diversidade humana em sua concepção tecnológica, tornando imperativa uma transformação imediata na forma como o design digital é desenvolvido.
Para enfrentar essa realidade, foi criado o NIA – Núcleo de Inovação em Acessibilidade do InovaUSP. A iniciativa busca reposicionar a acessibilidade multidimensional como um vetor estratégico de inovação tecnológica assistiva, superando a visão de que ela representa apenas uma obrigação legal ou uma mera pauta social.
Idealizado por Roseli de Deus Lopes, professora da Escola Politécnica e diretora do Instituto de Estudos Avançados da USP; Arturo Forner Cordero, professor da Poli-USP; e Cid Torquato, ex-secretário municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo, o núcleo atua como um hub para conectar a universidade, o mercado e a sociedade em prol da inclusão.
Apesar da existência de legislações avançadas no Brasil, como a Lei Brasileira de Inclusão, ainda há um abismo entre o texto legal e a prática cotidiana. Frequentemente, a acessibilidade ainda é tratada como uma correção posterior, em vez de integrar desde o início todo o processo de criação de produtos e serviços digitais e físicos.
Os idealizadores apontam que a inclusão de pessoas com deficiência e a assistência a populações longevas tornam essas agendas cada vez mais urgentes. Além disso, plataformas acessíveis ampliam mercados, melhoram a experiência dos usuários e fortalecem a reputação institucional, unindo inovação e acessibilidade em um único movimento.
O NIA-InovaUSP pretende impulsionar o desenvolvimento de recursos inclusivos fundamentados no design universal. A proposta central é garantir que a tecnologia do futuro não apenas remova barreiras existentes, mas evite que elas sejam construídas, transformando a diversidade humana em um princípio orientador do próprio progresso tecnológico.
Fonte: www.campograndenews.com.br
