Ceramistas indígenas de diferentes regiões do País se encontram em Mato Grosso do Sul para trocar técnicas e conhecimentos sobre a produção de peças feitas com barro e pigmentos naturais. O 2º Encontro Ancestral de Cerâmica Indígena é realizado entre a aldeia Alves de Barros, em Porto Murtinho, e Bodoquena.
Participam artistas das etnias Kadiwéu, Macuxi e Wai Wai. Além da troca de experiências sobre a produção das peças, a programação conta com treinamento sobre preços e vendas e termina com um bazar aberto ao público na cidade de Bodoquena.
Na aldeia Alves de Barros, as mulheres Kadiwéu mantêm uma tradição passada entre gerações. Para produzir as peças, elas coletam o barro e utilizam pigmentos naturais encontrados em nascentes, pedras e riachos. A resina do pau-santo é usada para criar detalhes pretos e brilhantes.
A árvore, chamada de Elegigo na língua Kadiwéu, está ameaçada de extinção e faz parte dos conhecimentos tradicionais usados na produção das cerâmicas. A relação com o território também está presente no trabalho das mulheres Macuxi, na comunidade Raposa I, em Roraima, onde a produção de cerâmica é compartilhada entre mulheres de diferentes idades.
Para Creuza Vergilio, presidente da Associação das Mulheres Artistas Kadiwéu (AMAK), a cerâmica representa toda a sua vida. A continuidade da produção também depende da preservação dos locais onde são encontrados os materiais utilizados pelas artistas locais.
O primeiro encontro foi realizado em 2022 na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, com artistas Macuxi, Kadiwéu e Terena. Desta vez, as mulheres Kadiwéu recebem as participantes em Mato Grosso do Sul para dar continuidade ao intercâmbio cultural e comercial entre as etnias.
Fonte: www.campograndenews.com.br
