A expectativa em torno do vencedor do Nobel de Literatura, anunciado pela Academia Sueca, costuma movimentar o meio literário com intensas especulações. Embora seja impossível prever com exatidão o escolhido da vez, a análise estatística de mais de um século de premiações revela perfis e coincidências curiosas entre os laureados.
Considerando os 122 vencedores históricos da honraria desde 1901, o retrato padrão do premiado aponta para um homem europeu, branco, na faixa dos 60 anos, falante de inglês ou francês e, de maneira curiosa, nascido sob o signo de libra. Contudo, o prêmio frequentemente subverte suas próprias tendências, como demonstrado por nomes recentes de fora desse eixo tradicional, a exemplo da sul-coreana Han Kang, da canadense Alice Munro e do chinês Mo Yan.
Geograficamente, a Europa domina com ampla margem o mapa da premiação, concentrando dezenas de escritores da Europa Central, Ocidental e dos países nórdicos. Em termos de nacionalidades, a França lidera isoladamente com 15 premiações, seguida pelo Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha. A América Latina acumula seis vitórias, destacando o Chile com dois nomes: Gabriela Mistral e Pablo Neruda.
A disparidade de gênero também marca a trajetória do Nobel, com uma proporção de 104 homens frente a apenas 18 mulheres. Entre elas, a norte-americana Toni Morrison permanece como a única mulher negra laureada, enquanto o egípcio Naguib Mahfouz destaca-se como o único representante árabe. No quesito linguístico, embora o inglês domine, a maioria dos autores foi premiada escrevendo em sua língua materna, incluindo o único representante da língua portuguesa, o escritor português José Saramago.
No aspecto etário, a faixa dos 60 anos concentra a maior parte das escolhas ao longo da história. O vencedor mais jovem foi o britânico Rudyard Kipling, premiado aos 41 anos em 1907, enquanto Doris Lessing tornou-se a laureada mais idosa ao receber o prêmio aos 87 anos. Desde 1931, a regra estabelece que o Nobel seja concedido exclusivamente a autores vivos, salvo falecimentos ocorridos entre o anúncio e a entrega oficial.
Mudanças recentes no perfil dos premiados indicam que o Nobel tem buscado maior diversidade neste século. A proporção de mulheres premiadas aumentou consideravelmente, e autores de fora do continente europeu passaram a representar mais de um terço dos vencedores recentes, acompanhando também indicadores de mercado como o prestigiado prêmio Booker.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
