Últimas notícias
DESTAQUES

Por que ‘Se Eu Fosse Você 3’ quer fazer rir sem as piadas de estereótipos de gênero

A equipe de 'Se Eu Fosse Você 3' busca atualizar a franquia de comédia e amenizar o uso de velhos estereótipos de gênero, adaptando a premissa de troca de corpos para os novos tempos.

Compartilhe: WhatsApp Facebook X
Por que ‘Se Eu Fosse Você 3’ quer fazer rir sem as piadas de estereótipos de gênero

A equipe por trás de “Se Eu Fosse Você 3” defende que a nova comédia busca fazer humor sem recorrer estritamente ao que é considerado coisa de homem ou de mulher, embora piadas dessa natureza estivessem no centro dos dois primeiros filmes, lançados em 2006 e 2009. O terceiro capítulo recicla a premissa clássica e coloca um novo casal para trocar de corpo, permitindo que ambos experimentem as angústias e realidades do parceiro.

Segundo a diretora Anita Barbosa, a intenção foi evitar gags visuais desgastadas. “Não quisemos brincar com homem usando salto alto. Essa piada é antiga e já foi bem contada”, afirma. A atriz Cleo Pires, que assume o protagonismo ao lado do humorista Rafael Infante, reforça que a graça da produção atual não reside em ver um homem caricato imitando uma mulher, ou vice-versa.

Na trama, a maldição da troca de identidades atinge Bia, interpretada por Cleo, e seu marido Aquiles, vivido por Infante. Bia é uma chef de cozinha frustrada pelo casamento com o instrutor de esportes radicais, enquanto Aquiles falha em compreender as demandas da esposa. Ao trocarem de corpo, eles compreendem a rotina e os sentimentos ocultos um do outro.

Apesar da proposta de renovação, a direção e o elenco admitem que o longa ainda preserva certas camadas de conflito sobre as diferenças de gênero. O ator Rafael Infante aponta que manter essas nuances enriquece a troca. Já Gloria Pires, que retorna para uma participação especial ao lado de Tony Ramos, avalia que a atualização ocorreu de forma leve, sem transformar o roteiro em um manifesto panfletário.

A franquia original era marcada por um humor bastante escrachado, com cartazes icônicos e cenas em que Tony Ramos e Gloria Pires brincavam abertamente com papéis de gênero tradicionais. Pesquisadores apontam que os filmes anteriores tanto refletiam quanto construíam comportamentos sociais, gerando debates acadêmicos e grande apelo popular nos cinemas brasileiros.

Para o elenco, a mudança no tom do roteiro reflete uma evolução natural do público, e não apenas uma concessão ao politicamente correto. Tony Ramos resume que a sociedade passou a refletir mais sobre o tema e que o humor atual precisa acompanhar essa transformação comportamental inexorável, garantindo a sobrevivência de narrativas clássicas de troca de corpos no cinema contemporâneo.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Escrito por

admin