Uma universidade não se constrói apenas com aquilo que produz no presente, definindo-se também pela capacidade de preservar, organizar e transmitir o conhecimento acumulado ao longo de sua trajetória. Bibliotecas, coleções e acervos documentais guardam trajetórias científicas, intelectuais e culturais essenciais para a memória institucional. Preservar esse patrimônio significa assegurar condições para que o conhecimento permaneça acessível e capaz de gerar novas descobertas.
É com essa perspectiva que a Agência de Bibliotecas e Coleções Digitais (ABCD) da Universidade de São Paulo instituiu o Programa de Apoio à Conservação, Preservação e Salvaguarda dos Acervos das Bibliotecas da USP, regulamentado pelo Edital ABCD I USP nº 002/2026. A iniciativa cria um mecanismo institucional de apoio financeiro voltado para ações de conservação preventiva e curativa, gestão de riscos e salvaguarda do patrimônio bibliográfico e documental mantido pelas unidades da universidade.
O impacto e a escala do desafio podem ser medidos pelos números da instituição. Dados do Anuário Estatístico da USP apontam que o acervo físico registrado nas bibliotecas alcança 8.489.125 itens, incluindo milhões de livros, teses, periódicos e multimeios. Essa magnitude reforça a responsabilidade institucional de garantir a integridade, a autenticidade e a disponibilidade contínua desse vasto material para as próximas gerações.
Para a sua primeira edição, o programa conta com um montante de R$ 1,8 milhão direcionado às 60 bibliotecas físicas do sistema da USP. Cada biblioteca pode submeter uma proposta com teto inicial previsto de R$ 30 mil, mediante avaliação técnica e orçamentária. O modelo adotado prioriza o diagnóstico estruturado e a produção de evidências, exigindo que cada projeto detalhe a relevância do acervo, os riscos identificados, a metodologia e os indicadores de resultado.
Além de financiar intervenções pontuais, a iniciativa busca mapear padrões de risco, disseminar boas práticas e subsidiar a formulação de políticas institucionais de longo prazo. Com prazo de execução de 12 meses, os projetos selecionados passarão por rigorosa prestação de contas, permitindo que a universidade aprimore continuamente suas estratégias de preservação e gestão para o período de 2026 a 2030.
Por fim, a iniciativa reforça que conservação e inovação caminham juntas. Em um cenário de rápida transformação digital, garantir a permanência e o acesso ao patrimônio intelectual acumulado é um compromisso fundamental. A implantação do programa reflete o engajamento da gestão superior da USP e a valorização das equipes técnicas locais, fundamentais para converter o conhecimento cotidiano dos acervos em diagnósticos sólidos e resultados duradouros.
Fonte: www.campograndenews.com.br
