
Cuiabá e Coritiba entram em campo neste sábado, às 18h30 (de horário de Brasília), na Arena Pantanal, pela oitava rodada do Campeonato Brasileiro. A partida coloca frente a frente duas instituições que adotaram o modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF), marcando o encontro da iniciativa pioneira no país com o projeto mais recente da modalidade.
O clube mato-grossense atua como empresa desde a fundação e é gerido pela família Dresch desde 2009. Com a regulamentação da lei do clube-empresa em 2021, o Dourado se constituiu como a primeira SAF do Brasil após aval da Receita Federal em dezembro daquele ano. Segundo o vice-presidente Cristiano Dresch, a mudança trouxe vantagens fiscais, como a redução de impostos sobre a arrecadação para uma alíquota única de 5% pelo simples fut, além do acesso a recursos via lei de incentivo ao esporte.
Investimentos e expectativas para o futuro do modelo
Do outro lado, o Coritiba oficializou no início de maio a venda de 90% das ações de sua SAF para a gestora de recursos Treecorp. O planejamento financeiro prevê aportes de R$ 1,3 bilhão ao longo de dez anos, valor que contempla a construção de um novo centro de treinamento, a modernização do estádio Couto Pereira, a quitação de dívidas e investimentos no departamento de futebol. O acordo ainda passa por votações no Conselho Deliberativo e entre os sócios do clube paranaense.
Especialistas ouvidos sobre o tema apontam que a transformação atrai aportes significativos, mas exige alinhamento e paciência dos torcedores. Enquanto o advogado desportivo Eduardo Carlezzo avalia que a estrutura é um caminho para clubes que buscam saltos estruturais, o especialista em negócios Armênio Neto e o CEO da Heatmap, Renê Salviano, ressaltam que o sucesso da transição depende fundamentalmente de uma administração profissional e do equilíbrio financeiro a médio e longo prazo.
