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Novo ‘A Rede Social’ puxa filmes sobre descrença do mundo quanto à internet

Estreias do segundo semestre refletem a crescente desconfiança pública em relação aos fundadores de empresas de tecnologia e ao Vale do Silício.

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Novo ‘A Rede Social’ puxa filmes sobre descrença do mundo quanto à internet

Antes da estreia de ‘A Rede Social’ em 2010, o ceticismo em torno da viabilidade de um filme focado em um site de internet era generalizado. O longa, contudo, tornou-se um expressivo sucesso de bilheteria e conquistou três prêmios Oscar, inaugurando de forma efetiva um novo gênero cinematográfico voltado para os bastidores de fundadores de impérios tecnológicos e suas respectivas psicologias.

Neste segundo semestre, esse segmento entra em uma nova fase caracterizada pelo aumento da desconfiança e da hostilidade pública perante essas figuras. Entre os lançamentos previstos estão ‘O Outro Lado das Redes’, sequência dirigida por Aaron Sorkin com lançamento em outubro, a série ‘Cupertino’ na CBS e o longa ‘Artificial’, de Luca Guadagnino.

Diferente do tom de admiração moderada visto em produções anteriores, essas novas obras exibem uma perspectiva consideravelmente mais sombria sobre o Vale do Silício. Enquanto o cinema historicamente celebrava ou respeitava a determinação desses inovadores, o cenário atual os retrata por meio de forte escárnio, repulsa e indignação diante das consequências sociais de seus produtos.

A desilusão coletiva ganhou força a partir de episódios como o escândalo da Cambridge Analytica em 2014, cujos desdobramentos públicos em 2018 evidenciaram o uso indevido de dados de usuários do Facebook sem consentimento. Esse marco temporal gerou uma virada narrativa expressiva, seguida nos anos seguintes por documentários e produções dramatizadas focados em quedas espetaculares de executivos do setor, transformando o arquétipo do gênio contracultural no de um manipulador amoral.

Paralelamente, a própria relação entre Hollywood e as gigantes da tecnologia se transformou profundamente com a consolidação do streaming e os investimentos cruzados entre estúdios e empresas de inteligência artificial. Um exemplo dessa nova dinâmica ocorreu quando a Amazon MGM optou por desistir do lançamento de ‘Artificial’, focado na figura de Sam Altman, devido a parcerias financeiras e tecnológicas firmadas com a OpenAI.

Embora o gênero prospere em termos de produções, a interferência de conglomerados tecnológicos no financiamento e na distribuição cultural levanta questionamentos sobre a viabilidade futura de narrativas críticas voltadas a expor os bastidores do poder digital. Os pioneiros que outrora se viam como rebeldes idealistas deram lugar a figuras percebidas pelo público como autocratas, deixando evidente o descontentamento coletivo com a realidade moldada pelas redes.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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