Astrônomos vinculados à Nasa descobriram uma cratera gigantesca e recente na superfície da Lua, considerada a maior observada no satélite natural desde pelo menos 2009. A bacia possui impressionantes 222 metros de diâmetro, medida que supera o dobro do comprimento de um campo de futebol, e foi gerada por um impacto cósmico ocorrido na primavera de 2024.
Batizada de cratera McGetchin em homenagem ao cientista lunar Tom McGetchin, a depressão está situada perto da borda do Mar das Crises, uma vasta planície de lava solidificada no extremo leste lunar. A descoberta foi detalhada em dois estudos publicados recentemente na revista científica Science Advances, após análises minuciosas de fotografias capturadas pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter.
De acordo com os pesquisadores, o evento foi provocado por um objeto com dimensões entre 9 e 21 metros que colidiu contra a Lua a velocidades extremas. A energia liberada no impacto equivale a uma explosão luminosa comparável à detonação de 15.500 toneladas de TNT, um fenômeno tão massivo que se estima ocorrer apenas uma vez a cada 132 anos.
A identificação de marcas dessa magnitude ganha relevância em meio aos planos de potências espaciais, como Nasa e China, de estabelecerem bases tripuladas permanentes no polo sul da Lua nas próximas décadas. Como a Lua carece de uma atmosfera densa para desacelerar ou incinerar rochas espaciais — ao contrário da Terra —, o risco de impactos passa a ser uma variável crítica para operações de longo prazo e para a segurança dos astronautas.
Além do perigo de uma colisão direta, os especialistas alertam para os perigos gerados pelos destroços e pelo material ejetado durante a explosão. Analisando a cratera recém-descoberta, cientistas notaram que fragmentos de rochas foram arremessados a grandes distâncias, formando rastros que se estendem por dezenas de quilômetros e tornando acidentadas regiões distantes do epicentros.
Como asteroides menores com poucas dezenas de metros são notoriamente difíceis de detectar antecipadamente, tecnologias de desvio podem falhar em neutralizá-los a tempo. Dessa forma, a comunidade científica reforça que o risco representado por impactos de objetos compactos na Lua é real e deve ser rigorosamente contabilizado nas futuras missões espaciais tripuladas.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
