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No CCBB SP, ‘Confuzo’ transforma exaustão física em poesia cênica

Em nova temporada no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, a Cia. Dos à Deux apresenta o espetáculo 'Confuzo (está escurecendo dentro de mim)', unindo exaustão física, artes visuais e, pela primeira vez em sua trajetória, a palavra falada.

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No CCBB SP, ‘Confuzo’ transforma exaustão física em poesia cênica

Há quase trinta anos, a Cia. Dos à Deux vem construindo uma linguagem cênica baseada na força do corpo silencioso. No espetáculo “Confuzo (está escurecendo dentro de mim)”, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) em São Paulo, a companhia rompe essa tradição ao introduzir, pela primeira vez, a palavra falada no centro de sua narrativa artística.

A inclusão da voz, no entanto, não representa um desvio estético, mas sim uma consequência extrema. O texto dramático surge apenas quando o corpo atinge o seu limite físico, funcionando como uma extensão natural da respiração e do cansaço dos atores, destituído de qualquer excesso ornamental.

O espaço cênico é estruturado a partir da convivência tensa entre duas figuras solitárias. De um lado, o ator André Curti interpreta o Homem-Árvore, personagem que carrega uma pesada estrutura de galhos secos. O peso real e físico desses galhos altera o eixo de seu caminhar, transformando a busca por fixação em uma marcha exaustiva sobre uma superfície árida.

Em contrapartida, Artur Luanda Ribeiro assume o papel do Homem-Luz, encarregado de pedalar sem interrupções uma bicicleta mecânica que funciona como um dínamo artesanal. É o esforço contínuo de suas pernas que mantém o palco iluminado; caso ele vacile, as lâmpadas perdem força e a penumbra toma conta do ambiente.

A engrenagem confere à iluminação uma vulnerabilidade palpável, oscilando no ritmo do suor e do batimento cardíaco dos intérpretes. O cenário ganha ainda mais densidade com os figurinos assinados por Karen Brusttolin e o desenho sonoro de Federico Puppi, que intercala notas de violoncelo, texturas metálicas e silêncios densos preenchidos apenas pelo estalo de correntes e pelo arfar dos corpos.

Nascida das vivências dos criadores entre a Europa e a América Latina, a montagem reflete sobre o desterro, a recusa ao diferente e a exaustão inerente ao tempo contemporâneo. A temporada de “Confuzo” segue em cartaz no CCBB SP, localizado no Centro Histórico da capital paulista, oferecendo ao público uma imersão poética e visceral até o dia 18 de outubro.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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