A calcificação das artérias coronárias figura entre os indicadores de maior risco para a saúde cardíaca. O processo decorre da associação do cálcio com o acúmulo de gordura ao longo dos anos, afetando cerca de nove em cada dez pacientes diagnosticados com aterosclerose. Embora muitas vezes assintomática, a condição estreita e endurece os vasos, elevando de forma drástica a probabilidade de ocorrência de complicações graves, a exemplo do infarto.
O tratamento da aterosclerose calcificada representa um dos principais alvos da cardiologia intervencionista, impondo desafios consideráveis quando atinge artérias de pequeno calibre, com diâmetro inferior a 3 milímetros. Nesses casos delicados, o emprego de stents — dispositivo tradicionalmente utilizado na desobstrução — pode desencadear complicações na cicatrização do tecido, comprometendo o êxito final da intervenção cirúrgica.
Diante desse cenário, especialistas do Hospital Israelita Einstein uniram forças com pesquisadores da Universidade de Verona, na Itália, para conceber uma nova abordagem terapêutica. O procedimento desenvolvido afasta a necessidade de implantes metálicos para o tratamento de placas duras de cálcio, demonstrando eficácia e baixos índices de efeitos adversos e reobstrução a médio prazo.
A alternativa inovadora interliga duas frentes terapêuticas distintas. Na etapa inicial, aplica-se a litotripsia intravascular, método que emprega ondas sonoras transmitidas por um balão para fragmentar o cálcio e devolver a elasticidade ao vaso sanguíneo. O princípio físico assemelha-se ao utilizado na destruição de cálculos renais, quebrando a rigidez da parede arterial sem a necessidade de extirpá-la fisicamente.
Em seguida, com o canal devidamente liberado, entra em ação um balão farmacológico, encarregado de injetar substâncias medicamentosas diretamente nas paredes do vaso para inibir processos cicatriciais excessivos que poderiam causar novas obstruções. O método dispensa totalmente a fixação de estruturas definitivas no interior da artéria.
Os testes preliminares abrangeram 50 pacientes no Brasil e na Itália, cujos dados foram divulgados no congresso EuroPCR, em Paris. Os resultados indicaram sucesso na desobstrução de 88% dos casos analisados, sem registro de complicações agudas e com manutenção do calibre arterial comprovada em exames de acompanhamento realizados seis meses após o procedimento.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
