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Avanço de dispositivos com inteligência artificial esbarra em crescentes receios de privacidade

A aposta de gigantes da tecnologia em uma era pós-smartphone dominada por óculos e acessórios com inteligência artificial enfrenta forte resistência pública devido a preocupações com gravações secretas e o fim do anonimato.

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Avanço de dispositivos com inteligência artificial esbarra em crescentes receios de privacidade

A transição para uma nova era tecnológica centrada em dispositivos de inteligência artificial tem alimentado intensos debates e receios relacionados à privacidade em âmbito global. O movimento, considerado por empresas do setor como o sucessor natural do mercado de smartphones — avaliado em mais de US$ 600 bilhões —, esbarra na desconfiança de usuários, tribunais e estabelecimentos comerciais.

Entre os produtos que mais têm atraído o escrutínio público estão os óculos inteligentes desenvolvidos pela Meta em parceria com a EssilorLuxottica, que combinam o apelo visual da marca Ray-Ban com recursos avançados de IA. O potencial de o aparelho realizar gravações ocultas gerou reações severas de críticos e órgãos jurídicos, além de restrições de uso já impostas por estabelecimentos comerciais no Reino Unido, como a rede de pubs Wetherspoon.

Para contornar o ceticismo e tentar conquistar o consumidor comum, fabricantes testam diferentes formatos de hardware, incluindo broches, pingentes e gravadores magnéticos. Enquanto a aceitação comercial avança de maneira mais veloz no segmento corporativo, empresas do setor buscam alternativas para garantir a confiança do público e evitar que câmeras e microfones ativados de forma contínua se tornem um entrave intransponível.

Líderes da indústria tecnológica reconhecem que o formato definitivo precisará equilibrar utilidade e segurança. Jay Kim, vice-presidente executivo de dispositivos móveis da Samsung, pontuou que os usuários exigem sistemas confiáveis e sob seu controle conforme a inteligência artificial assume novas tarefas. A fabricante sul-coreana planeja lançar seus próprios óculos inteligentes ainda neste ano, fruto de parcerias com as marcas Gentle Monster e Warby Parker.

No campo do processamento de dados, executivos apontam que a descentralização pode ser a chave para solucionar o impasse. Sam Altman, CEO da OpenAI, destacou em discussões recentes que os futuros assistentes integrados ao cotidiano precisarão processar informações localmente, diretamente nos aparelhos, em vez de enviar dados contínuos para servidores na nuvem, garantindo assim maior privacidade aos usuários.

O desfecho desse embate regulatório e cultural ditará o ritmo da próxima grande revolução na computação móvel. Caso as corporações falhem em estabelecer garantias sólidas de consentimento e segurança, a onipresença dos recursos inteligentes poderá brecar definitivamente a expansão comercial desses novos equipamentos vestíveis.

Fonte: c-level.folha.uol.com.br

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