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Análise debate se o suicídio assistido pode transformar a morte em mercadoria

Neste Setembro Amarelo, especialistas discutem os reflexos da liberação da morte assistida em países como o Canadá e o impacto no cuidado paliativo.

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Análise debate se o suicídio assistido pode transformar a morte em mercadoria

Durante o mês dedicado à prevenção do suicídio, conhecido como Setembro Amarelo, levanta-se o debate sobre as consequências da liberação do acesso à morte assistida em diversas nações. O questionamento central reside em saber se a prática acaba por prejudicar a oferta adequada de cuidados paliativos e se converte a decisão fundamental entre viver e morrer em uma questão estritamente financeira.

Um exemplo relatado é o da canadense Vicki Whelan, enfermeira aposentada que acompanhou o tratamento da mãe de 81 anos com câncer de pulmão. Segundo seu relato, a equipe médica sugeriu por repetidas vezes a realização da morte assistida, postura que ela descreveu como semelhante à de um vendedor. Como a idosa não enfrentava sofrimento insuportável, a família optou por levá-la para casa, onde faleceu de forma tranquila semanas depois.

Dados apontam que, desde a legalização ocorrida em 2016, mais de 60 mil indivíduos passaram pela morte assistida no Canadá. Em 2023, o procedimento respondeu por 4,7% do total de óbitos no país, alcançando cerca de 15 mil pessoas, nem todas diagnosticadas com enfermidades físicas terminais. Para críticos, essa rapidez na oferta pode estar associada ao fenômeno da aceleração social diagnosticado por teóricos.

No livro ‘Aceleração’, o filósofo Hartmut Rosa aponta que o processo tecnológico inicial tido como libertador passa a contaminar o ritmo temporal da sociedade, atingindo inclusive as relações familiares e a forma como compreendemos o ciclo natural da vida. Com isso, o falecimento acaba se tornando uma atribuição exclusiva de especialistas, distanciando-se do convívio familiar e cultural.

Especialistas da área de saúde e cuidados paliativos também alertam para a existência de uma agenda que favorece a eutanásia e o suicídio assistido, o que incluiria a suavização de termos empregados e a pressão sobre instituições contrárias. Por outro lado, defensores ponderam que a morte assistida pode, em certas circunstâncias, configurar um ato de misericórdia e compaixão perante o sofrimento intratável.

Diante desse cenário complexo, tradições filosóficas e religiosas reforçam que o contato com a finitude humana traz ensinamentos essenciais para a própria vida. O desafio para as sociedades contemporâneas consiste em equilibrar a compaixão e os riscos do mercantilismo da morte, assegurando que as legislações reflitam condutas éticas equilibradas perante os momentos finais da existência.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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