A menos de duas semanas do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) utilizou o seu tempo de propaganda na televisão para se posicionar como o principal alvo dos ataques vindos da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Candidato à reeleição, o atual presidente tem apostado na contraposição direta entre as realizações de sua gestão atual e os anos em que o país foi governado por Jair Bolsonaro.
Em sua inserção veiculada no programa eleitoral, Flávio iniciou as falas sustentando que, desde o começo da disputa, a propaganda do adversário tem se limitado a agressões verbais, edições de pronunciamentos e conteúdos de baixo nível. Apesar das reclamações sobre os métodos do oponente, o próprio senador dedicou trechos do seu programa a críticas incisivas contra os resultados econômicos e administrativos da gestão petista atual.
Especialistas em ciência política avaliam que a movimentação do candidato do PL cumpre um papel preventivo na estratégia de comunicação. Segundo Aldo Fornazieri, coordenador de pós-graduação da FESPSP, trata-se de um movimento focado na fidelização da base aliada e em uma postura defensiva, projetada para consolidar os votos já conquistados em um cenário onde a definição do pleito depende fortemente do eleitorado ainda indeciso.
No eixo das propostas apresentadas aos eleitores, Flávio buscou abordar temas de grande apelo popular, como o endividamento das famílias e a segurança pública. Na área de segurança, o parlamentar prometeu a construção de cinco megapresídios federais, o endurecimento de penas para roubo de aparelhos celulares e a redução da maioridade penal, argumentando que o sistema prisional sob sua visão não funcionará como um refúgio para criminosos.
Por outro lado, a coligação de Lula concentrou esforços em lembrar o histórico da administração passada e em destacar medidas econômicas de seu governo, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda. A propaganda petista buscou associar Flávio ao legado econômico e social do pai, ressaltando o custo de vida elevado e os índices de inflação anteriores, enquanto analistas apontam que a disputa no horário eleitoral gratuito segue polarizada e acirrada na reta final.
Enquanto os dois principais nomes na corrida presidencial polarizam as atenções, candidatos alternativos como Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD) buscam ocupar o espaço da chamada terceira via. Explorando a rejeição aos líderes das principais frentes e utilizando formatos alternativos de comunicação, como podcasts e jingles bem-humorados, eles tentam atrair os eleitores que ainda buscam opções fora do eixo central da polarização nacional.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
