Enquanto muitos setores enxergam a inteligência artificial com cautela, os grandes escritórios de advocacia dos Estados Unidos têm feito questão de exibir sua rápida adaptação à tecnologia. Impulsionados por novidades recentes de empresas como OpenAI, Google e Anthropic, escritórios de primeira linha lançaram ferramentas proprietárias para otimizar desde análises de contratos até a elaboração de documentos complexos para ofertas públicas iniciais de ações.
No entanto, essa corrida tecnológica gerou um impasse no tradicional modelo de negócios do setor jurídico, que historicamente baseia sua remuneração na cobrança por hora trabalhada. Com a automação tornando tarefas rotineiras muito mais céleres, os clientes corporativos começaram a questionar o valor final das faturas e a exigir descontos proporcionais à eficiência trazida pela inteligência artificial.
De acordo com especialistas da área, departamentos jurídicos internos de empresas têm utilizado agentes de IA para rastrear faturas e identificar trechos em que a tecnologia reduziu drasticamente o tempo despendido. Em alguns casos, equipes chegam a solicitar reduções lineares de 20% a 30% nos valores cobrados, utilizando os próprios comunicados publicitários dos escritórios como argumento para fundamentar os pedidos de abatimento.
Por outro lado, as bancas de advocacia relutam em conceder grandes descontos imediatos. Os escritórios argumentam que a tecnologia ainda não reduz tanto o tempo global de trabalho quanto se imagina, mas sim altera a composição das horas, substituindo tarefas repetitivas por análises de conteúdo mais aprofundadas. Além disso, o setor enfrenta a concorrência incipiente de novos escritórios nativos de IA, que já operam com preços fixos antecipados e forte base tecnológica.
Embora a receita dos grandes escritórios tenha apresentado crescimento expressivo no primeiro semestre do ano, analistas avaliam que o modelo de cobrança por hora precisará sofrer transformações a longo prazo. Levantamentos recentes apontam que a maioria dos gestores jurídicos espera mudanças significativas nas formas de remuneração até a próxima década, abrindo espaço para preços fixos, cobranças por projeto e honorários fechados em etapas mais previsíveis.
Por enquanto, a transição ocorre de forma gradual e cautelosa. Os escritórios buscam dialogar com os clientes no início e no final de cada projeto para detalhar o real impacto da inteligência artificial, preparando o terreno para um futuro em que a agilidade proporcionada pelas máquinas inevitavelmente redefinirá as regras do mercado jurídico americano.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
