A indústria tecnológica aposta que os agentes de inteligência artificial representam a próxima fronteira em relação aos tradicionais chatbots. Com capacidades muito mais avançadas, essas ferramentas conseguem navegar pela internet, acessar sites, preencher planilhas e até mesmo realizar ligações em nome dos usuários. Para compreender o alcance dessa tecnologia na prática, um teste prolongado foi conduzido ao longo de duas semanas, entregando diversos aspectos da rotina pessoal a uma nova ferramenta lançada no mercado.
O aplicativo testado foi o Muse, o primeiro agente de inteligência artificial voltado ao consumidor desenvolvido por uma grande empresa de tecnologia a ficar disponível publicamente. O programa foi apresentado em setembro pela Meta, dona do Facebook e do Instagram. Após conectar contas bancárias, e-mails e aplicativos parceiros ao sistema e interagir com um assistente virtual apelidado de Wren, o saldo da experiência revelou um nível inédito de utilidade em ferramentas automatizadas.
Entre as funções desempenhadas pelo agente, destacou-se a capacidade de interagir com centrais de atendimento telefônico. Em uma das ocasiões, o assistente virtual ligou para uma operadora de plano odontológico, informou dados de beneficiário, passou por perguntas de segurança e aguardou na linha até transferir a chamada para um atendente humano. Além disso, o software demonstrou eficiência ao monitorar gastos financeiros, criar planilhas detalhadas, identificar cobranças duplicadas e solicitar reembolsos de assinaturas expiradas.
Apesar da alta utilidade demonstrada no dia a dia, a adoção em massa dessas tecnologias ainda enfrenta barreiras significativas. O uso de agentes autônomos exige um nível profundo de confiança por parte do usuário, fator que pode gerar desconforto em relação à privacidade de dados, especialmente considerando o histórico da Meta. Restrições impostas por plataformas de comércio eletrônico, como a Amazon, também evidenciam os desafios regulatórios e operacionais que o setor precisará contornar.
O funcionamento do aplicativo envolveu a integração com diversas plataformas, permitindo que o agente preenchesse formulários complexos e realizasse pagamentos mediante autorização prévia. Acompanhar a movimentação do cursor do mouse pela tela simulando a navegação humana ilustrou o potencial de automação de tarefas burocráticas. Contudo, limitações técnicas ainda se manifestaram em transações específicas, como em sites de ingressos e programas de fidelidade, onde a intervenção humana continuou sendo necessária.
Ao final do período de testes, a interação com vendedores no Facebook Marketplace para negociar itens de cerâmica evidenciou tanto a habilidade de negociação do algoritmo quanto os limites da substituição das relações humanas. Embora a inteligência artificial tenha se mostrado capaz de otimizar tarefas cotidianas e proporcionar economia financeira, conversas espontâneas com pessoas reais demonstraram que muitos usuários talvez prefiram manter o controle direto sobre suas interações pessoais, motivados principalmente por questões de privacidade.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
