A missa de sétimo dia da ativista Amelinha Teles, realizada na Catedral da Sé e seguida por um ato político na praça central de São Paulo, marcou a agenda de candidatos da esquerda no estado. O evento ocorreu em uma semana em que o fator religioso ganhou enorme destaque no centro da disputa eleitoral.
Durante o ato, o candidato ao Governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad, adaptou a oração atribuída a São Francisco de Assis para angariar apoios. Em seu discurso, o petista afirmou que nem a figura da mãe de Cristo escapou do bolsonarismo, declarando: “Onde houver Bolsonaro, que levemos Lula. Onde houver Tarcísio, que levemos Haddad”.
Em frente à catedral, sob forte sol, também discursaram as candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede). Tebet recitou emocionada a mesma oração religiosa momentos antes e criticou a divisão da sociedade pela fé, declarando sua devoção e defendendo o princípio do Estado laico.
A mobilização da esquerda ocorre após a disseminação de uma notícia falsa nas redes sociais que alegava a intenção de retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida caso Flávio Bolsonaro fosse eleito. Diante da repercussão, o ministro André Mendonça, do TSE, determinou a remoção de publicações que tratavam o boato como fato verídico, gerando críticas de candidatas como Tebet, que classificou a medida como censura por atingir também perfis institucionais e publicações pessoais.
Marina Silva apresentou a aliança com Tebet como a união de perfis plurais, destacando a composição de crenças e origens distintas na chapa. No mesmo palanque, Haddad classificou como “nojento” o uso da fé alheia por adversários e rebateu críticas de opositores sobre a naturalidade das candidatas ao Senado, rechaçando ataques desferidos em debates.
A disputa pelo Senado em São Paulo está acirrada. Pesquisa Datafolha apontou Marina com 15% e Tebet com 14% das intenções de voto, empatadas tecnicamente na margem de erro com André do Prado e Guilherme Derrite, que registram 12% cada. A missa na Catedral da Sé reuniu ainda nomes de peso da política nacional e dos movimentos sociais, como a ministra Sônia Guajajara e o candidato a deputado federal Eduardo Suplicy.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
