A proibição das operações das empresas de apostas on-line, as bets, no Brasil, anunciada recentemente, trouxe um sentimento de alívio para muitos cidadãos que viram suas vidas desmoronarem devido ao vício em jogos. Histórias de perda de bens materiais e afastamento familiar tornaram-se comuns nos últimos anos, exigindo busca por tratamento especializado em centros de atenção psicossocial e acompanhamento médico contínuo.
Assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Medida Provisória 1394 revogou disposições da lei de 2018 que permitia o funcionamento das plataformas. Embora aprovadas no final daquele ano, as bets só receberam regulamentação efetiva em dezembro de 2023, operando por cerca de cinco anos sem regras rígidas de controle ou avisos obrigatórios sobre os malefícios do jogo.
Especialistas da área de saúde mental apontam que populações vulneráveis foram os principais alvos de campanhas publicitárias agressivas que promoviam uma falsa promessa de complementação de renda. O apelo por ganhos rápidos atraiu diferentes faixas etárias, incluindo crianças e adolescentes, cuja impulsividade é acentuada pelo desenvolvimento cerebral ainda em curso durante a juventude.
Os impactos financeiros atingiram patamares bilionários. Dados do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda revelam que, apenas no ano passado, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões — saldo entre o valor apostado e os prêmios devolvidos —, o que representa uma média mensal expressiva de bilhões de reais movimentados por meio de transações via Pix.
Apesar da legislação estipular o bloqueio de usuários com perfil compulsivo, advogados e especialistas apontam que tal medida raramente era cumprida pelas plataformas. Em contrapartida, incentivos contínuos e bônus eram enviados diretamente aos apostadores, agravando quadros de dependência severa, ansiedade extrema e até mesmo ideação suicida entre os indivíduos afetados.
Diante do agravamento da crise de saúde pública, o governo federal e o Sistema Único de Saúde ampliaram estratégias de acolhimento e teleatendimento para os apostadores. Com a proibição oficial das plataformas, o Ministério da Saúde planeja intensificar o rastreamento e o suporte terapêutico aos cidadãos afetados, utilizando dados integrados de órgãos governamentais para oferecer o tratamento adequado.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
